O sonho de conquistar a taça Libertadores nunca foi abandonado pelos corintianos de fé. O passeio do timão pelos campos do Estádio 3 de Febrero, na noite de ontem em Ciudad del Leste, reacendeu a esperança nos corações corintianos. Com a torcida a favor em pleno território paraguaio, o Coringão teve cabeça fria para colocar 3 a 1 em cima do Nacional de Assunção, e garantir a passagem para a próxima fase do campeonato Latino Americano. Nunca vi Meu Chapéu tão animado com o Timão.
Doutor Sócrates parece que escolheu a dedo o dia para nunca mais ser esquecido pelos torcedores corintianos. Não bastasse tudo o que fez em sua carreira como jogador, líder esportivo e figura humana, Sócrates decidiu assistir a conquista do pentacampeonato do seu time do coração de um lugar privilegiado: tomando uma cervejinha lá de cima, olhando todo aquele caldeirão do Pacaembú entre as nuvens. Porque se existe céu, com certeza ele está lá. Fotomontagem: Lee Swain
Futebol pra ninguém botar defeito neste domingão. Eu e Meu Chapéu fomos assistir a partida em um reduto vascaíno, o Bar e Restaurante São Cristóvão, na Vila Madalena, que transmitia os dois jogos. Na varanda de fora, Corinthians e Figueirense. No salão interno, lotado de torcedores do time carioca, Vasco e Fluminense. O bar parecida mais um circo romano. A cada lance a turba bradava enfurecida. Emoções viscerais, tanto podia vencer o leão quanto o gladiador, era tudo ou nada, vida ou morte, até os momentos finais.
O Timão chegou muito perto da taça. Quando o juiz encerrou a partida contra o Figueirense em Florianópolis, o Corinthians era campeão. Os vascaínos silenciaram, nervosos. Exatamente aos 45 minutos do segundo tempo, Bernardo marcou o gol da vitória do Vasco sobre o Fluminense. O São Cristóvão tremeu nos alicerces. Os vascaínos explodiram. E o futebol ganhou. Paciência, quem disse que vida de corintiano era fácil? Até a decisão com o Palmeira, domingo que vem, Meu Chapéu vai ficar com o grito de campeão entalado na garganta. Se é que chapéus tem garganta.
Poucas vezes Eu e Meu Chapéu vimos um Corinthians tão equilibrado. Mesmo quando não está bem, consegue manter o controle da situação, debaixo de pressão e em aparente desvantagem. Mesmo não jogando bonito. Mesmo com goleiro quebrado. E segue invicto a 10 partidas. Em vez de trazer estrelas internacionais a peso de ouro, não seria o caso de manter esta equipe tupiniquim a pão de ló?
Fim de semana de poucas alegrias para o torcedor brasileiro. Seleção Brasileira masculina se salvando no último minuto. E a feminina, dançando no último minuto, de novo diante das algozes americanas. No voley, quase quase. Na Fórmula 1, só os espanhóis comemoraram.
Para o Meu Chapéu só sobrou mesmo o gol do William, que garantiu a liderança do Coringão no Campeonato Brasileiro. Não foi muito, mas podia ser pior… se o Meu Chapéu fosse santista, por exemplo.
Depois de dar um chocolate inesquecível nos sãopaulinos, que estão procurando a bola até agora, o Coringão venceu o Bahia em Salvador do jeito que a torcida gosta: sofrendo. Julio Cesar se virou mais que charuto em boca de bêbado para segurar a pressão baiana e garantir o magro placar de 1 a 0, que deixa o timão na ponta do Brasileiro mesmo com um jogo a menos. Segundo o Meu Chapéu, corintiano assumido, este ano o coringão vai para as cabeças. E deste assunto ele entende.
Os fregueses do Morumbi não cansam de dar alegria ao Meu Chapéu, que como se sabe, é corintiano desde que era bonézinho. Este 5×0 em pleno Pacaembú, além de tudo contou com Rogério Ceni para dar aquele toque de sabor frango no final. Mas esta conta ele não quis pagar, e mandou para a casa do juiz. Meu Chapéu está anotando tudo.
Corinthians e Grêmio, vice-campeões nos campeonatos estaduais, se enfrentaram na estréia do Brasileirão. O Coringão entrou com o pé direito em campo, e de virada, ganhou de 2 a 1 dentro da casa do Grêmio, deixando os 20 mil gaúchos que foram assitir ao jogo mais murchos que bombacha velha.
Meu Chapéu, que como todos sabem é corintiano roxo, achou os pênaltis discutíveis, mas reconhece que o bandeirinha, o sr. Erick Bandeira, nasceu mesmo para o ofício, tendo acertado 100% ao validar o gol da vitória de Liedson.
Meu Chapéu ficou triste, mas não teve o que fazer contra um Santos avassalador, em tarde de Neymar inspirado e frango na área corinthiana. Centenário sem ter nadinha. E convenhamos, ser vice no campeonato paulista não dá orgulho a ninguém. Como só tem lugar para um vencedor, ficamos chupando o dedo. Eu bem que avisei ao Meu Chapéu o sofrimento que era ser corinthiano. Quem sabe aos 101, 102,103…
Eu e Meu Chapéu já estamos acostumados, não tem decisão fácil para o Corinthians. Quando parece fácil, fica difícil, e quando parece impossível…
O Palmeiras tinha tudo para ir para a final com o Santos, no próximo Domingo. O melhor técnico, os melhores jogadores, o artilheiro Valdívia, a torcida. Mas no caminho tinha um Corinthians.
Eu e Meu Chapéu, corintianos convictos, nos resignamos com o centésimo gol de Rogério Ceni, mas lembramos à torcida são paulina que a Fiel só valorizou o fato. Imagine ir para a história com o centésimo gol sobre o Ituano, ou sobre o Prudente? Sem demérito dos times do interior, mas Rogério não poderia ter moldura melhor para o seu centésimo, e merecido gol. Agora chega, mais quatro anos de jejum.
Torcedor do Timão já está acostumado a emoções fortes. Meu Chapéu que o diga. Depois de amargar 1×0 no primeiro tempo contra o Mirasol neste Domingo, o Corinthians conseguiu empatar, e virar, mesmo com Jorge Henrique expulso. E no final do jogo, ver tudo ir abaixo com uma bola traiçoeira que enganou o goleiro Julio Cesar. Quando tudo parecia perdido, já nos descontos, Bruno César teve calma e frieza para dar um corte na frente do goleiro e chutar forte para marcar o gol da vitória, que mantém o Coringão na liderança do campeonato Paulista. De César o que é de César.
A história do menino pobre de periferia que hoje acumula uma fortuna calculada em cerca de *U$ 1 bilhão, parece coisa de cinema. E é mesmo. Um filme que todos nós vimos passar nas telas das nossas tvs, nas manchetes dos jornais, nos twitters da vida. Capítulos dramáticos, como suas contusões, seu apagão na copa de 98. Capítulos escandalosos como seu envolvimento com travestis no Rio de Janeiro. Mas sobretudo capítulos espetaculares de torcidas enlouquecidas com suas arrancadas e dribles desconcertantes, que acabavam quase sempre estufando redes pelo mundo afora. Quanto vale este show? Este filme, como diz o comercial de um cartão de crédito, não tem preço.
*informação divulgada pelo Jornal Nacional
O Coringão não deu nem pra saída. Jogando em casa, conseguimos um empate, isto porque o gramado jogava no nosso time. Mas na partida de volta na Colômbia, não deu pra segurar. Como disse Ronaldinho aso jornalistas no fim do jogo, “fomos prejudicados pelo gramado”. Paciência, gramados melhores virão.
Nada para este time é fácil. Corintiano de verdade nasceu cozido no sofrimento, e cresceu embalado pela esperança. Hoje o bando de loucos vai fazer a diferença. Hoje vale tudo. Vale secar, vale fazer vudu, simpatia, acender vela para um santo, rezar para outro. Hoje, o coração corintiano vai bater mais forte. Hoje é na fé.