Até quem não usa chapéu admira o trabalho do mestre chapeleiro Du E-holic, que pedala sua máquina de costura na calçada em frente à sua loja na Vila Madalena. Um artista que pinta e borda com tecido, linha e nenhum limite para sua imaginação.
Du pretende dar a volta ao mundo fazendo seus chapéus, se deixando contaminar pela cultura de cada país por onde passar. Neste projeto o Meu Chapéu gostaria de embarcar.
DU E-HOLIC: R. Fradique Coutinho, 1399 – Tel.: 38530420 – Vila Madalena – Seg. A sab- 9h30 às 21h30
A palavra Halloween tem origem na Igreja católica. Vem de uma corruptela contraída do dia 1 de novembro, “Todo o Dia de Buracos” (ou “Todo o Dia de Santos”), é um dia católico de observância em honra de santos. Mas, no século V DC, na Irlanda Céltica, o verão oficialmente se concluía em 31 de outubro. O feriado era Samhain, o Ano novo céltico.
Alguns bruxos acreditam que a origem do nome vem da palavra hallowinas – nome dado às guardiãs femininas do saber oculto das terras do norte (Escandinávia).
O Halloween marca o fim oficial do verão e o início do ano-novo. Celebra também o final da terceira e última colheita do ano, o início do armazenamento de provisões para o inverno, o início do período de retorno dos rebanhos do pasto e a renovação de suas leis. Era uma festa com vários nomes: Samhain (fim de verão), Samhein, La Samon, ou ainda, Festa do Sol. Mas o que ficou mesmo foi o escocês Hallowe’en.
Uma das lendas de origem celta fala que os espíritos de todos que morreram ao longo daquele ano voltariam à procura de corpos vivos para possuir e usar pelo próximo ano. Os celtas acreditavam ser a única chance de vida após a morte. Os celtas acreditaram em todas as leis de espaço e tempo, o que permitia que o mundo dos espíritos se misturassem com o dos vivos.
Como os vivos não queriam ser possuídos, na noite do dia 31 de outubro, apagavam as tochas e fogueiras de suas casa, para que elas se tornassem frias e desagradáveis, colocavam fantasias e ruidosamente desfilavam em torno do bairro, sendo tão destrutivos quanto possível, a fim de assustar os que procuravam corpos para possuir, (Panati).
Os Romanos adotaram as práticas célticas, mas no primeiro século depois de Cristo, eles as abandonaram.
O Halloween foi levado para os Estados Unidos em 1840, por imigrantes irlandeses que fugiam da fome.
Depois de alguns dias fechado em uma caixa de papelão, recoloquei Meu Chapéu em circulação novamente. Há dias sem ler jornais ou ouvir qualquer noticiário, ele está completamente alienado das novidades que assolaram o mundo nas últimas semanas. Se espantou ao saber do fim do Kadafi, ficou surpreso (mas nem tanto) com o imbróglio no Ministério dos Esportes, e temeroso pelo Corinthians, que perdeu momentaneamente a liderança para o Vasco.
Mas o que ele mais estranhou foi a mudança de casa. E a falta dos familares. Ele não está entendendo nada, está mais perdido que cachorro em dia de mudança. Tenho que colocá-lo ao par das novidades, mas não sei nem por onde começar. Acho que vou levá-lo passear e ter uma longa conversa sobre a vida com ele. Não vai ser fácil, chapéus não gostam de mudanças.
Semana passada Meu Chapéu fez um rasante no Rio de Janeiro, e claro não podia deixar de vistar alguns pontos que por mais turístico que sejam, são passagem obrigatória da cidade.
Fez foto da chegada na janelinha do avião, posou com a escultura de Drummond de Andrade em Copacabana, e deu suas pedaladas na Lagoa Rodrigo de Freitas ao entardecer. Às vezes acho que se pudesse, Meu Chapéu escolheria o Rio para morar.
Meu Chapéu tietando o poeta. Fotos: Lee Swain
Malas prontas para voltar para São Paulo, depois de um fim de semana delicioso em Ibiúna, e quem disse que encontrava Meu Chapéu? Depois de muito procurar, fui achá-lo em um porta guarda-chuvas escondido, na companhia de uma panamenha bem descolada, que já conheceu muitas cabeças, e tem muita história para contar. Quando vesti meu Chapéu pra pegar a estrada de volta, ouvi um suspiro suspeito sobre minha cabeça. Não tive dúvidas. Meu Chapéu estava apaixonado.
Quando foi candidato ao Senado, ano passado, Meu Chapéu lançou-se com uma plataforma que teve adesão imediata da população: reinvindicava que o salário dos senadores fosse equiparado ao dos professores. Uma forma simples de justiça social. Idéia que esta professora do Rio Grande do Norte defendeu com serenidade e lucidez neste vídeo divulgado por Jimmy Speyer, e que coloca todos os pingos nos “ís”.
Meu Chapéu está um pouco blasé estes dias. E tem razões para isso. Um em cada dois modelos da SPFW desfila usando algum tipo de chapéu. Este acessório, que viveu o seu auge nos anos 50, praticamente sumiu de cena a partir dos anos 60, e viveu as décadas seguinte na total obscuridade. De alguns anos para cá entretanto, passaram a ser vistos em cabeças ilustres, e agora estão vivendo um renascimento nas mãos de estilistas e personalidades que jogaram novamente o acessório no centro da cena fashion. Vida longa aos chapéus.

E no fim, tudo acabou assim. Meu Panamá esmagado em um sofá, sabe-se Deus por qual traseiro. O Vitor Rebouças, que sabe quase tudo, antes que eu me desesperasse com a tragédia, foi logo dizendo: “Não tem problema, é só colocar o chapéu no vapor que ele volta a ser o que era”. Valeu Vitor, vou levar meu Chapéu para a sauna.
Depois de ver o desânimo geral dos eleitores com os candidatos ao Senado, meu chapéu resolveu que era hora de parar de reclamar, sair da confortável posição de crítico, para se lançar candidato ao Senado de São Paulo.

Mas onde já se viu um chapéu candidato? E logo ao Senado? Resolvemos consultar a legislação eleitoral, e para nossa surpresa, constatamos que não há nenhum impedimento para um chapéu se lançar candidato. Nem mesmo à presidência. Mas meu chapéu achou muita pretensão disputar o cargo mais alto da nação sem uma experiência anterior, e considerou que o Senado poderia ser um bom vestibular. Quem sabe nas próximas eleições…

Pois bem, toda candidatura tem que ter uma plataforma, e meu chapéu foi pesquisar o que fazem e como vivem Senadores de outros países. Decidiu começar por um país rico, imaginando que se aqui eles vivem bem, nos seus países eles deveriam levar uma vida nababesca. E veja só o vídeo imperdível que ele descobriu sobre os políticos suecos:
Depois de assistir a esta matéria, meu chapéu decidiu qual será a primeira proposta de sua plataforma:


Peço perdão aos frequentadores deste blog que não sabem o que é ser corintiano e fizeram outras opções na vida, mas meu chapéu pediu a palavra, e hoje ele quer falar de uma de suas paixões: uma instituição chamada Sport Club Corinthians. Quero deixar claro que não tive nenhuma influência sobre a escolha esportiva do meu chapéu. Foi de livre e espontânea vontade que um dia ele me sussurrou, passando pelo camelódromo da 25 de março: “gostei daquele distintivo, ficaria bem em mim”. Não vou dizer que não senti orgulho de colocar o bottom do timão no meu panamá, ainda mais que era uma escolha sua, legítima e espontânea. Naquele momento pensei: este chapéu é o meu número. Por isso o blog de hoje é inteiramente dedicado à paixão do meu fiel escudeiro. Bom proveito.