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Fim de linha – O Japão não é aqui

A proposta do Meu Chapéu de mudar o Japão para o Piauí se encerra aqui. Não sem ter despertado alguma curiosidade pelo inusitado da idéia, alguns apoios entusiasmados, e acredito que muitos velados, no silêncio dos que lêem mas não comentam.

O leitor Paulo V. nos enviou um comentário interessante sobre o assunto:

“Pois é, assim como o seu Chapéu, já me fiz muitas vezes estas perguntas… e se o Brasil fosse colonizado por Holandeses, ou Ingleses… me parece sempre o nosso desejo de tentar solucionar os nossos problemas com os problemas dos vizinhos. O Japão é e sempre será o Japão, lá em seu habitat… se passar para o Piauí vai deixar de ser Japones para ser Piaíen…. Deixem o Piauí com esta, ainda vamos parar de sonhar e lutar, somos capazes de criar uma conciencia nacional com todos fazendo o seu papel… mas adoro o teu sonho porque os Japas estão de parabéns na solidariedade….”

Caro Paulo, você acertou na mosca. Chapéus vivem com a cabeça nas nuvens, e muitas vezes falam coisas que não fazem o menor sentido.  Onde já se viu mudar o Japão para o Piauí? A troco de que? Só porque é um povo ordeiro? Que não tolera corrupção? Que valoriza a educação? Que não joga lixo na rua? Que após ser reduzido a pó, resignadamente se reergue das cinzas?

Chapéus são utópicos. Almejam um país que tenha a alegria, a bossa, a simpatia do povo brasileiro, e a perseverança, honestidade e retidão dos japoneses.

Chapéus são sem noção. Imaginam políticos que façam o que prometem. Bancos que distribuam, e não acumulem riquezas. Fiscais que fiscalizem, juízes imparciais, advogados que falem a verdade, policiais incorruptíveis.

Chapéus são sonhadores, acreditam em um mundo sem privilégios, preconceito e intolerância. E assim como os sonhos que sonham, os Chapéus são bonitos, mas voam ao primeiro pé-de-vento.

Concordo com a opinião do nosso leitor, e peço ao Meu Chapéu que deixe o Japão no seu quadrado, e dê a chance ao Brasil de encontrar o seu próprio caminho. A melhor lição é também a mais doída, aquela que se aprende à custa dos próprios erros. Espero que os chapéus dos nosso filhos vejam um país melhor, mais justo, mais igual.

Mas caro Paulo, só não posso pedir ao Meu Chapéu que mude este seu jeito de matuto, meio caipira, quase bôbo, de olhar o mundo com a simplicidade de um jardineiro.


Peter Sellers no filme Muito além dos jardins.

 

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