Mais uma sexta-feira, já estamos no meio do ano, o Werneck escreveu mais uma crônica e o estádio do Corinthians ainda não saiu do papel. Enquanto isto aproveite as dicas de sucesso garimpadas em muitos anos de pesquisa pelo nosso incansável cronista das sextas feiras, Rui Werneck de Capistrano.
Confesso que sou fascinado por livros de fórmulas de sucesso empresarial. É uma fraqueza? Não sei, pode ser, não ligo. Desde que comecei a trabalhar com propaganda, nos anos 70 do século passado, leio livros sobre esse assunto. O primeiro foi do David Ogilvy, pai norte-americano dos publicitários do mundo. Acho que aprendi muito com ele na maneira redigir anúncios. Depois, passei por vários outros autores. Claro que as fórmulas mágicas causam riso, mas rir é bom. Acontece que a gente tem sempre que redigir defesas de campanhas, relatórios de empresas, discursos de empresários — coisas ligadas às empresas — e até cartão de aniversário da mulher do cliente. Nessas horas, o livro de sucesso nos negócios cai como chuva. Você pinça conceitos, frases, pitadas de sabedoria e recheia seu texto. Dá sensação de consistência e agrada sempre.
Na verdade, é mistério o que faz uma empresa ter sucesso e outra, do mesmo ramo, fracassar. Mistério em termos. Tudo o que é humano não tem mistério. Tem graus de talento, competência, dedicação, vontade, oportunidades, etc. E muita politicagem, falcatruas, corrupção, sacanagens, etc. A mistura de tudo faz a empresa ter sucesso ou fracassar. Nas revistas atuais de negócios, todos os empresários das reportagens são felizes, sagazes, empreendedores e sorridentes. É só ir trabalhar na empresa de um deles e ver o contrário — dinheiristas, oportunistas, egoístas e… As tintas das revistas pintam tudo mais brilhante.
Mas os livros dão dicas gerais. Alguns conceitos servem realmente. E eu guardo pra mim. O mais difícil é fazer com que os outros usem. Você diz a um cliente que o cara escreveu que a gente deve agir assim. Ele olha pra você e, como nunca leu nada, dá de ombros pro conceito. Alguns clientes pedem campanhas publicitárias e, quando você diz pra eles que o negócio deles é que deve mudar, que propaganda não salva, eles franzem o nariz. O famoso conceito — uma ótima campanha mata um produto ruim — entra em cena. Mas, os clientes se acham poderosos. E quebram.
Tem um livro também já do século passado que tem frases ótimas. O título do livro é Como nadar com os tubarões sem ser comido vivo. Só vou dar as frases, sem mais delongas. Conclua como quiser. 1) O mais importante não é o valor da mercadoria, mas quanto a pessoa acha que ela vale. 2) Tome decisões com o coração e acabará com doença cardíaca. 3) Jamais vi currículo ruim. 4) Aborreça-se facilmente. 4) A prática perfeita leva à perfeição. 5) Ter 1% de alguma coisa é melhor do que administrar 100% de nada. 6) Não basta conhecer as pessoas, o importante é saber como conhecê-las. 7) Sorria e diga NÃO até sua língua sangrar.
Aquele que queimar suas pontes tem que ser bom nadador. 9) Jamais feche negócio numa sala que tenha candelabro.
É isso. Eu e meus livros de fórmulas de sucesso. Sem sucesso.
Rui Werneck de Capistrano
é autor de NEM BOBO NEM NADA, romancélere de 150 capitulozinhos do capeta.
5 comentários Nem bobo nem nada!
Teus textos são ótimos e fazem com que a gente deguste a leitura ( será que é possível degustar um texto?) .
Fico bem a vontade para repassar para amigos que curtem uma boa leitura e um bom comentário.
Desista de jogar sinuca. Teu negócio é literatura!
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As pegadinhas do Werneck….
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Lee Swain