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 jul
Crônica
Desenrolando a língua

It’s friday! É Venerdi! Es el viernes! Já é sexta feira, dia do Rui Werneck de Capistrano contar para os leitores do Meu Chapéu quantas barbaridades já foram cometidas a mão desarmada por tradutores, a sangue frio, sem o menor remorso. Voilá, Werneck, go ahead! Non ti fermare.

TRADUÇÕES/TRANSLATIONS/TRADUCTIONS

Sempre a mesma luta. Um título que o autor às vezes fica horas, dias, anos pensando e pesando, desaparece na tradução. O tradutor – ou o editor – sempre acha fraco o título que o autor deu. Sempre acha que o leitor do seu país não vai entender. Precisa de bula pra sacar. O editor, que só quer vender, dá força pro tradutor mexer à vontade, adaptar e resolver o problema. Os editores da França confessam que mudam mesmo. Tem autores que brigam muito pelo original. Outros dobram-se à oportunidade de serem lidos pelos franceses.

Veja os títulos de livros em inglês que foram mudados em francês. Alguns deles vieram pro Brasil, e ficaram até famosos, com nomes trocados. Ora traduzidos do francês, ora do inglês. Mas… e o pobre autor, onde fica?

 1. Paul Bowles: The sheltering sky – Un thé au Sahara – O céu que nos protege

2. Charles Bukowski: Erections, ejaculations, exhibitions and general tales os ordinary madness – Contes de la folie ordinaire – Histórias de um velho safado – Ereções, ejaculações, exibições

3. Truman Capote: Other voices, other rooms – Les domaines hantés -

4. Raymond Carver: Cathedral – Les vitamines du bonheur. What do we talk about when we talk about love – Parlez-moi d’amour –

5. Raimond Chandler: The long good-bye – Sur un air de navaja – Um longo adeus. The man who liked dogs – Un mordu. Nevada Gas – Efacce la rouquine -

6. David Goodis: Down there – Tirez sur le pianiste – Atire no pianista

7. Chester Himes: The five cornered square – La reine des pommes. A jealous man can’t win – Couché dans le pain -

8. William Irish: Waltz into darkness – La siréne du Mississipi – A sereia do Mississipi

9. James Jones: From here to eternity – Tant qu’il y aura des hommes -

10. Bernard Malamud: Rembrandt’s hat – L’homme dans le tiroir -

11. Arthur Miller: The crucible – Les sorcières de Salem – As bruxas de Salem

12. Vladimir Nabokov: Laugther in the dark – Chambre obscure/Rire dans la nuit – Gargalhada no escuro

13. John Updike: Rabbit run – Coeur de lièvre – Coelho corre

14. William Styron: Lie down in darkness – Un lit de ténèbres – Deitada na escuridão

15. Isak Dinesen: Out of Africa – por incrível que pareça ficou Out of África – A fazenda americana

 Por que não traduzem alguns nomes esquisitos de autores, também, né?

Rui Werneck de Capistrano, por exemplo, podia virar Jean-Jacques Pierre, na França.

Rui Werneck de Capistrano
é autor de NEM BOBO NEM NADA
, romancélere de 150 capitulozinhos do capeta.

 

1 comentário

Putz, Swain, que bela ilustração você arranjou! Dupiru! Valeu mesmo. Abraços.

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15/07/2011 #
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