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 out
Crônica
Crônica da sexta-feira passada

Rui Werneck ficou de fora do blog do Meu Chapéu na sexta feira passada por conta de uma gripe avassaladora que me atropelou sem dó nem piedade. Tem uma sexta de crédito comigo. Doce leitura.

Cada planeta coloca o seu céu no planeta vizinho

 Tem uma hora em que você precisa urgentemente de um doce. No momento em que uma estrela pisca lá no infinito, por exemplo. Depois de passar no supermercado mais próximo, entram os ingredientes em campo: chocolate ao leite (açúcar, manteiga de cacau, leite em pó integral, massa de cacau, soro de leite, lecitina de soja, extrato natural de baunilha), xarope de glicose, açúcar, amendoim torrado, flocos de arroz, albumina, amido de arroz, óleo de soja, extrato natural de baunilha e estabilizante lecitina de soja.

Se você não entender nada, pode tentar em inglês: milk chocolate (sugar, cocoa butter, whole powderer milk, cocoa mass, whey powder, soy lecitin, natural vanilla flavoring), corn syrup, sugar, toasted peanut, rice crispies, albumin, rice flour, soy oil, natural vanilla flavoring and soy lecitin. Não adivinhou, ainda? Vamos para o castelhano: chocolate com leche (azúcar, manteguilla de cacao, leche entera en polvo, masa de cacao, suero de leche, lecitina de soya, aromatizante natural vainilla), jarabe de glucosa, azúcar, maní tostado, copos de arroz, albúmina, almidón de arroz, aceite de soya, aromatizante natural vainilla y lecitina de soya.

Some o trabalho que deu para fabricar cada ingrediente: quem fabricou o açúcar não fabricou o óleo de soja, quem produziu a manteiga de cacau não fez o amendoim torrado. E vai por aí até o fim dos séculos. Até que alguém ainda por cima pesquisou e descobriu que o doce que você comprou nasceu em Cremona (Itália), em 1441, para celebrar o casamento de Francesco Sforza com Bianca Marie. Os confeiteiros, na ânsia de agradar os nubentes, criaram um doce especial com nozes, mel e clara de ovos no formato da famosa torre da cidade que se chamava Torr’lone.

Quinhentos e setenta anos depois, você está satisfazendo o desejo urgente de comer um doce que, da receita primitiva, só guardou o nome: Torrone. Mas que é delicioso, é! Principalmente se for coberto com chocolate ao leite. Turrón de maní cubierto con chocolate. Ah, se Francesco e Bianca foram felizes no casamento? Não sei, mas é uma boa pergunta, não é?

Rui Werneck de Capistrano é consultor de ritmos energicamente produtivos e autor de Nem bobo nem nada, romancélere de 150 capítulos.

1 comentário

Como diria um esperto: é, o pessoal não tão lendo!

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04/11/2011 #
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