Me lembro de ter falado muitas vezes ao Meu Chapéu que podíamos ter inúmeros problemas neste País, mas por outro lado, aqui estávamos a salvo de todas aquelas tragédias que assolavam o mundo. Nada de terremotos, vulcões, furacões, tornados, avalanches, tsunamis e cataclismas em geral. E sempre batia na madeira quando via aquelas reportagens vindas de países distantes, com notícias de milhares de vítimas de trágicos fenômenos naturais. Aqui era o paraíso, onde no máximo se podia tomar um raio na cabeça, mas pra isso o sujeito tinha que ser muito pé frio.
Últimamente Meu Chapéu tem me feito perguntas desconcertantes sobre as calamidades que a TV e os jornais e o rádio e o vizinho e a internet não param de repetir. E eu não sei o que responder, sinceramente. Será que estamos sendo castigados porque deixamos de ser um país só de miseráveis? Seria tudo fruto do aquecimento global, e não teríamos nada a fazer a não ser chorar? É tudo culpa dos canalhas que nos cobram impostos e nem sequer se dão ao trabalho de avisar que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças? Como explicar ao Meu Chapéu algo que não consigo entender? Me sinto na lama.
(Águas de Março, de Tom Jobim)
3 comentários Amigos & Amigas!
Numa tragédia como a que estão sobrevivendo alguns dos nossos caríssimos irmãos e irmãs, proferir um “bom dia” é encharcar nossos corações de esperança. Esperança esta que nos será ofertada por heróis anônimos; os corajosos que permutarão suas vidas pela magnanimidade de suas almas. Almas bravas que fazem a nossa comunhão como cidadãos ressuscitar das trevas dos gabinetes onde é alimentada a gula desvairada das desgraças que não acontecem por acaso, acontecem pela cobiça e ganância embutidas nos ímpios horrores vomitados pelas garras dos poderes desta cúpula crápula do descaso.
Portanto convido-os, com os olhos chovidos de dor e sedentos de solidariedade, a fazer brotar, não uma expectativa ou promessa, mas uma verdadeira voz comum e congregada que bradará a nossa bela poesia sufocada no peito e que nos libertará dos uivos carniceiros, covardes, cruéis e eleitoreiros.
“Bom dia!”
É triste, mas todo ano é a mesma coisa. Não, não…
A mesma coisa sim, com proporções bem maiores. Quando teremos uma política de prevenção??? Quando deixaremos de nos preocupar com chuvas??? Sim, porque se chove muito,sofremos com as enchentes. Se não chove, sofremos com a seca. Parece sempre um “Déjà vu”. Quem ganha com isso?
Comentar
Pois é, Juliana, prevenção parece não constar no dicionário dos políticos que elegemos. No entanto comissão, bonificação, corrupção, estes não faltam.
[Responder]
Lee Swain