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Cidade
O discreto charme de Higienópolis

O  que é que faz de Higienópolis um dos bairros mais concorridos de São Paulo? E também um dos metros quadrados mais caros da cidade? E uma das maiores concentrações de beautiful people? Para responder a estas questões, Eu e Meu Chapéu não quisemos saber de Google nem de Wikipédia nem de guias da cidade. Preferimos ouvir a voz de quem vive no bairro.

A consultora de negócios Beia de Carvalho, nossa primeira vítima, mora há mais de 10 anos em frente à Praça Buenos Aires, já teve escritório no bairro, e na infância frequentava o casarão da avó, na Rua Sabará. A bem humorada Beia nos propôs um passeio pelo bairro, començando com um café da manhã na tradicionalíssima Padaria Aracajú, onde habitués lêem confortavelmente seus jornais, e os balconistas chamam os fregueses pelo nome. Enquanto provamos um delicioso pão na chapa com queijo branco, Beia conta que muitos moradores do bairro se conhecem simplesmente porque lá as pessoas adoram passear. E acabam se encontrando na praça, no açougue, na farmácia, na padaria, e acabam fazendo amizade.

Não acabamos de falar e Beia identifica um amigo tomando café no balcão da Aracaju. O fotógrafo Sidney Haddad vem se juntar à nossa mesa, e ao saber que estamos fazendo uma matéria sobre Higienópolis, se dispõe a nos mostrar alguns prédios históricos ali pertinho. Sidney praticamente nasceu em Higienópolis, e é grande conhecedor da história do bairro.

O acaso começava a desempenhar seu papel no nosso passeio. Seguimos com Sidney pela Av. Higienópolis, e conhecemos algumas das mansões mais tradicionais do bairro, construídas pela elite paulistana no início do século passado, imitando os modelos franceses da época, no tempo em que ainda se escrevia Higienópolis com “Y”.

Sidney é uma enciclopédia viva. Nos conta que Higienópolis é um dos menores bairros da cidade, e tres de suas avenidas são homenagens às suas fundadoras: Angélica, D. Veridiana e Maria Antonia, em cuja propriedade hoje está a Universidade Mackenzie.

Logo a seguir, fomos visitar o prédio onde Sidney mora há 38 anos, na Av. Higienópolis. Trata-se do Edifício Bretagne, um ícone do bairro, construído em 1959 por João Artacho Jurado, e que inaugurou o conceito de condomínio na cidade. O edifício amarelo e rosa, que foi também o primeiro a ter piscina e área de lazer em São Paulo, estrelou muitos filmes e produções televisivas graças ao seu glamouroso estilo hollywoodiano.

Meu Chapéu ficou imaginando o impacto do lançamento do Bretagne na época. João Artacho, que nem arquiteto era, tinha um grande faro para marketing, e convidou o ator Roy Rogers e a Miss Estados Unidos daquele ano para participar da festa cinematográfica que produziu para o lançamento do condomínio, que segundo relatos, teve suas 173 unidades vendidas em 24 horas.

A vida coletiva é a tônica no Bretagne. Além da grande piscina, o edifício conta com um salão para saraus com piano de cauda, um bar que funciona como um clube, salões de jogos, solarium e um grande jardim coletivo de cobertura. Sidney circula pelos longos corredores do hall do Bretagne como se fosse uma extensão de sua casa. Os moradores se conhecem pelo nome, param para conversar, perguntam dos filhos, mandam beijinhos. Embora sua arquitetura contraste com os prédios e casarões austeros da Av. Higienópolis, o Bretagne  é a síntese de Higienópolis. Uma grande mistura de cores, texturas, estilos, e um espaço aberto e generoso para o convívio dos seus moradores.

Áreas de lazer do Bretagne. Fotos Sidney Haddad

Eu e Meu Chapéu nos despedimos de Beia e Sidney com a sensação de que, se não conseguimos fazer todo o périplo de Higienópolis, com certeza conhecemos um dos seus melhores pedaços.

Todas as fotos de autoria de Lee Swain, com exceção das creditadas a Sidney Haddad

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4 comentários

Lee, morei 5 anos em Higienópolis, a partir de 2000, e adorei ver a reportagem. Boas lembranças, inclusive da padoca Aracaju, onde tomava meu café diariamente. abç

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Toninho, de fato a padoca é um point no bairro, muito jornalista, fotógrafo, e até mulher bonita eu vi, rsrs… bom vê-lo por aqui. Abs

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18/03/2011 #

Me fez ter saudades de São Paulo também, embora não tenha morado em Higienópolis. Mas, que dizer: São paulo é cosmopolita.

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Bota cosmopolita nisto, Luiz.

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