Cresci ouvindo que “São Paulo não pode parar”. Este monstro de cidade que se movimenta como uma centopéia disléxica, tropeçando sobre as próprias pernas, já jogou na lata do lixo incontáveis preciosidades arquitetônicas, que só de pensar dá vontade de chorar. Sempre que dou uma olhada no acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, fico pensando o quanto poderia ser linda esta cidade, e invejo os argentinos, que souberam preservar o centro histórico de sua querida Buenos Aires.
A sofrida São Paulo esconde um outro tipo de beleza em suas entranhas. Uma beleza crua, imediata, urgente, como sexo feito rápidamente mas com muito vigor. Os muros da cidade formam o grande painel por onde corre esta energia criativa que como cogumelos, nasce num dia, morre no outro, e renasce depois de amanhã. No meu caminho para o trabalho passo pelos mesmos muros e testemunho este ciclo incessante de vida e morte diário, escrito por mãos anônimas não sei a que horas, porque nunca vi nenhum deles no seu fazer incansável. Mas estão lá, nascendo e morrendo todo dia, dando a prova definitiva de que realmente São Paulo não pode parar.
Fotos: Lee Swain
4 comentários Em Maringa, PR (que eu chamo de Má-ringa) o prefeito colocou abaixo a velha rodoviário, projeto arquitetônico sublime para fazer… pasme! um prédio para guardar carro!
Ótima materia Su!!!!
Inexorável, caro Swain.
Curitiba que tem uma rotação mais lenta, também não para. E essa arte urbana perecível é a própria metáfora dessa inconsequente inconstância.
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A cobra troca de pele quando cresce, eu sei, mas nasce uma mais bela no lugar da antiga. C’e sa la difèrence.
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Lee Swain