A idéia do Meu Chapéu de fundar o novo Estado do Japiauí, formado pela junção do Japão com o Piauí, vem causando diversas reações internacionais. Muitos apoiam a idéia e acham que seria uma grande solução para dois problemas: o desenvolvimento do Piauí de um lado, e uma terra livre de terremotos para o Japão do outro.
Na recente visita da Presidente Dilma ao Oriente, alguns jornalistas levantaram questões importantes como por exemplo, se seriam adotados os “hashis”, os famosos palitinhos japoneses no lugar de garfo e faca. Ou se seria possível fazer um bom sashimi com carne seca. Tudo isto parece ter solução, segundo o Meu Chapéu.
Outra questão mais complexa acabou polarizando as discussões: a questão da fé. Ambos os povos são muito espiritualizados, cada um com suas crenças. Meu Chapéu sugere que em vez de dividir, a fé dos dois povos se some, e que seja erguido um Panteão a céu aberto, onde seriam erigidos monumentos a Buda, ao Padre Cícero, e a quem mais o Japiauí decidisse dirigir suas preces. A natureza pacífica dos dois povos permitiria uma convivência harmoniosa das diversas crenças, acredita o Meu Chapéu.
Talvez a maior dificuldade mesmo seja saber como inserir o dragão japonês nas festas do bumba-meu-boi.
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– E quando os terremotos vão acabar?
– Provavelmente nunca, respondi à pergunta um tanto infantil do Meu Chapéu.
– Bem, neste caso porque eles não mudam o Japão de lugar?
– Ora… não se muda um país assim… vc tem idéia do tamanho de um país como o Japão? perguntei.
– Não, qual é?
– Bem… o Japão tem uma área de… vejamos…
Consultei rapidamente a Wikipédia antes de responder. – Mais ou menos 370.000 km2. Um pouco maior que o Piauí.
– Hummm…
Meu Chapéu pareceu refletir por alguns instantes.
Fui conferir os dados sobre o Piauí, quando Meu Chapéu observou a coincidência de formato entre os mapas do Japão e do Estado brasileiro, e perguntou à queima roupa:
– Porque então o Japão não muda para o Piauí?
Como explicar a um chapéu, sem ofendê-lo, de que isto era um disparate sem tamanho?
– Isto não é possível, resumi.
– Porque? insistiu ele.
– Ora, porque nunca foi feito antes.
– A Torre Eiffel já tinha sido feita antes? E o Coliseu? O Canal do Panamá? O Eurotunel?
– São coisas diferentes, pontuei, e mudei logo de assunto.
Passaram-se alguns dias, até que ocorreu novo tremor no Japão. Não era preciso dizer nada, a pergunta já estava no ar, e antes que Meu Chapéu voltasse à carga, fui logo dizendo:
– Olha, politicamente isto não daria certo. Imagine só: 127 milhões de japoneses aportando de repente em um estado cuja população não passa de 3 milhões de piauienses. Pra começar os japoneses moram em uma ilha, e o Piauí praticamente não tem praia. Além disso tem um clima semi árido.
– Mas tem terremoto no Piauí? Perguntou ele.
– Não, terremoto não tem…
Meu Chapéu não falou mais nada, sabia que tinha feito uma pergunta matadora. E claro, me fez pensar.
Um fato recente me impressionou muito no episódio japones: a foto de uma estrada totalmente destruída no terremoto, e reconstruída em apenas uma semana, inclusive com guard rail. Fiquei pensando na determinação dos japoneses, e por alguns instantes, me permiti imaginar a revolução que eles não fariam em 10 anos de Piauí, um dos estados com IDH mais baixo do Brasil.

Provavelmente os japas começariam criando um arquipélago artificial para compensar a falta de mar. Aproveitariam o grande potencial de ventos para instalar o maior parque de energia eólica do Hemisfério Sul. Os rios ameaçados de secar seriam revitalizados com um intenso programa de recuperação da mata ciliar. Uma rede de transportes hidrográficos seria então instalada. A esta altura, a caatinga já estaria transformada no novo Vale do Silício. O Indice de escolaridade dos pequenos japiauienses, o novo cidadão mestiço fruto desta miscigenação imaginária, seria o mais alto da Federação em pouco tempo. A caatinga se transformaria em um imenso jardim japonês, com direito a cerejeiras floridas na primavera.
E o piauiense, por acaso se abalaria com a influência nipônica, ou estaria rindo à tôa com a maior renda per capita das Américas?
Meu Chapéu, que às vezes parece ler através da mente, ao me ver assim entretido em pensamentos, falou apenas duas palavras:
- Já pensou?
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O borracheiro Selmam Rolam acordou pela manhã e teve um sobressalto. Do nada, observou que o número 17.861 era resultante da multiplicação de 337 por 53. Levantou da cama e logo teve outra iluminação — a raiz cúbica de 3.796.416 é 156. Ao contar ao patrão, na primeira hora do expediente, sugeriu que, em vista do ocorrido, poderia receber um aumento de salário. O patrão olhou bem firme pra ele e perguntou qual é a cor do cavalo branco de Napoleão? Selmam respondeu na bucha: Verde!
Doronha Freixe, auxiliar de serviços gerais, chegou pro amigo e disse me diga uma data, qualquer uma dos últimos ou dos próximos 30.000 anos. O amigo se assustou, mas disse 6 de abril de 28.344. Em trinta segundos, Doronha respondeu vai cair numa terça-feira. O amigo bateu nas costas dele, deu parabéns e perguntou vai chover? É meu aniversário!
Bartira Toronja, cabeleireira, teve a premonição de que um avião iria cair em Oslo, capital da Noruega, às 14h30min do dia seguinte. Na mesma hora, pegou suas economias, comprou passagem e voou pra lá a fim de alertar as autoridades. Quase aterrissando, às 14h28min do dia seguinte, o avião teve problemas no trem de pouso e caiu de barriga na pista, incendiando-se.
O padeiro Roleit Alpert começou a ter um poder psíquico acima do normal. Se se concentrasse por cinco minutos olhando o retrato do presidente da República, o pão recém-assado falava com ele, por meia hora, numa língua morta há mais de dois mil anos.
Em 1432, Jermat Olat, gerente de uma loja de eletrodomésticos, chegou pra uma cliente indecisa e falou puxa, como a senhora tem sorte. Estou recebendo um aviso de uma voz que diz que a senhora vai receber uma visita amanhã. Ela trará notícias agradáveis para suas finanças — pode ser uma herança. Pode levar a máquina agora e pagar quando a visita for embora. A mulher se animou e levou a máquina. Dois dias depois voltou sorridente, com dinheiro na mão, mas queria devolver a máquina porque a eletricidade ainda não havia sido inventada.
E, finalmente, o mais impressionante caso de poder da mente. O músico Joac Estum estava em crise de criatividade e vivia emburrado. Depois de uma noite de sono agitado começou a receber uma música muito linda. Ele não podia parar de entoar. A música foi crescendo e tomou conta da vida dele. A tal ponto que teve que mudar de casa, deixando a música fechada dentro de um vidro de cebolas em conserva pela metade. Joac viveu bom tempo apavorado, pois temia que alguém abrisse o vidro. Ele detestava cebolas em conserva.
Esses prodigiosos casos de poder da mente foram extraídos do livro Terov Atinicov ov tintov, escrito por Tomoc Eparov durante um transe psíquico em 1867, na província de Lemo (KA). Terov abominou e renegou a experiência, pois foi obrigado a pagar vultosa indenização ao escritor-fantasma que ditou o livro e depois o acusou de plágio.
Rui Werneck de Capistrano é um escritor de mente aberta e escancarada.

Renatus Cartesius, René Descartes, escreveu o livro Discurso do Método — para conduzir a razão e buscar a verdade nas ciências — que, parece incrível, se constituiu num desses famosos divisores de águas nas tarefas humanas. Num superresumo, veja o que ele propõe: “Conduzir por ordem nossos pensamentos, indo dos mais simples mais aos mais confusos (ou complexos)… Dividir as dificuldades em tantas partes quantas forem possíveis… Fazer em cada parte enumerações tão completas e revisões tão gerais que se esteja seguro de nada omitir”.
O famoso bordão ‘vamos por partes, como diria Jack, o estripador’ é real e funciona em inumeráveis situações da nossa vida. Um dia fiz um haicai que era assim: vamos por partes/como queria/Descartes. No mais das vezes, a gente atropela tudo e acha que nada tem solução. Arrancamos os cabelos diante de algum problema que parece muito grande. Nunca nos lembramos de ir por partes.
Descobri que gente gosta mesmo é de sofrer. De fazer com que os outros vejam que estamos assoberbados, que não temos tempo nem para respirar. Gostamos de nos fazer de vítimas do trabalho, do sistema, de chefe sacudo, de carga insuportável de serviço. Cansei de ver isso em agências de propaganda. Gente chateada trabalhando até altas horas porque não dava conta dos jobs no horário normal. Gente para quem o relógio esquecia de marcar seis horas e pulava logo para dez da noite. Gente que fazia questão de empilhar os jobs na mesa, sem dividir com os outros criadores, só para mostrar o quanto estava sobrecarregada. Gente que só saía depois que todos já tinham saído — fazendo tudo para que o chefe notasse — para dar uma de vítima, de pobre coitada, de trabalhadora.
Na empresa, quando alguém propõe simplificação radical ou divisão das tarefas, a maioria rosna e diz que não vai dar certo. Por isso, em qualquer trabalho de grupo, seja em escolas ou nas empresas, sempre um bobo trabalha mais. Pena que Descartes esteja esquecido. Que a leitura seja coisa do passado. E que quem tem ideias para simplificar tudo seja considerado CDF e mais alguns adjetivos desqualificativos.
Rui Werneck de Capistrano é cartesiano do piso ao teto
Dei um tapa num glossário com vocabulário do vinho. Interessante. De A a V tem palavras para definir gosto e tipo dos vinhos. Veja:
Aberto: de cor clara; acerbo: ácido, verde; adamado: vinho para mulher, suave e doce; amável: suave ou ligeiramente doce; apagado: de aroma inexpressivo; austero: adstringente; botritizado: vinho de sobremesa, doce e licoroso; carnoso: encorpado; complexo: de aromas múltiplos; curto: sabor inexpressivo, de retrogosto curto; denso: viscoso; delgado: pouco corpo; farto: muito doce e com baixa acidez; firme: jovem com estilo; foxado: odor e gosto de pêlo de raposa; fortificado: com adição de aguardente vínica; franco: sem defeitos; generoso: forte e com alto teor alcoólico; gordo: suave e maduro; grosso: elevada acidez e muito extrato; herbáceo: com aroma de ervas; longo: de boa persistência; magro: aguado; mole: sem caráter; nervoso: acidez e adstringência altas, mas não excessivas; oleoso: viscoso; pequeno: secundário; sápico: acidez moderada; terroso: sabor de terra; verde: acidez acentuada, mas agradável e refrescante.
Peguei só alguns verbetes pra dar ideia do que se passa na produção e degustação dos vinhos. Por isso, os enólogos são tão cheios de palavreado, tão arrogantes. Se ‘acham’. Por isso, sempre fico absorto olhando aquelas gôndolas de supermercados cheias de garrafas de preços tão disparatados e de tão nobres procedências. Aqui em Curitiba tem um produtor que engarrafa 800 mil litros/ano. As uvas vêm do Rio Grande do Sul (50%). É vinho pra consumo imediato, ‘de mesa’ tipo Santa Felicidade, Colombo. Vinho de festa com frango, polenta frita e risoto. Um litro custa uns sete reais. E nem adianta tentar colocar o glossário em cima dele. Ele faz a alegria do povão que acha tudo ‘duca’. E só.
PS. Pra diferir dos vinhos ‘de mesa’ os outros deviam ter escrito na garrafa: ‘de pé’.
Rui Werneck de Capistrano bebe cerveja
Nos bons tempos da propaganda risonha e franca, eu implicava com marqueteiros que se metiam nas campanhas criadas e então me pediram pra dar uma idéia concreta do que significa: Marketing é uma coisa que se faz com o produto. Propaganda se faz na cabeça do consumidor. É fácil. É mole pro gato!
Sabe como inventaram essa pomada Vick Vaporub? Um cara estava vendo um lugar de exploração de petróleo nos EUA. Viu que saía junto com o ouro negro uma pasta incolor. Ele perguntou o que faziam com aquilo. Nada, foi a resposta. Só enchia o saco deles ter que separá-la. Ele pegou, passou na mão e viu que era bem pegajosa. Resolveu testar como lubrificante. Deu certo! Ele seguiu pensando, pensando… e viu que, se misturasse um líquido balsâmico virava uma pomada que podia ser passada no peito das pessoas com problemas respiratórios. Aí são dois cases de marketing: o primeiro mostra a substância pura servindo de lubrificante de máquinas. O segundo evoluiu pra algo melhor.
O caso da Coca-Cola é semelhante. Um cara inventou um xarope pra ser digestivo, aliviando estômago pesado. Foi tentando novidade e acrescentou o gás. O xarope virou o refrigerante que é. Isto é trabalho dos marqueteiros: dar aos produtos novas dimensões, novos nichos de mercado, novos usos. Remexer produtos com problemas de aceitação e dar nova vida a eles. O trabalho da propaganda é levar a novidade ao consumidor. Fazendo isso de forma persuasiva. Só isso. O problema é que a maioria das empresas contrata marqueteiros sem saber pra que servem. Os marqueteiros também não sabem bem o que fazer. Aí, os donos da empresas, sempre ocupados, botam eles pra ficar de olho e dar pitacos nas campanhas de propaganda que as agências criam. Não mexem no produto porque o dono tem ciúme e não admite que haja algo errado. Se não vende, ele sempre põe a culpa na propaganda. Como se ela é que tivesse que buscar nova dimensão e novas utilidades pro produto.
Rui Werneck de Capistrano é publicitário do piso ao teto.
Mais uma aventura do escritor curitibano em terras paulistanas.
O Roberto Duailibi é um gentleman. No melhor sentido da palavra. Posso garantir que foi o único que tentou me ajudar em São Paulo. Quando comecei a enviar textos meus pra ele, pensei que ia me mandar às favas e me ignorar. Mas, não. Um dia, me ligou e disse que estava em São Paulo um grande publicitário do México — só sei que o chamavam por Pato, ou Patto — e estava recrutando redatores. O Duailibi agendou um encontro nosso no hall de entrada de um grande hotel. Lá fui eu. Foi uma conversa até que meio longa. Eu iria trabalhar na capital mexicana e blábláblá. Só que duas coisas me perturbaram de imediato. Uma, eu estava bem com a Heloisa, e o Ruizinho era pouco mais que um bebê. Outra seria trabalhar no México, com meu parco inglês e castelhano só pro gasto — uma temeridade. E, mais, na agência dele os criadores trabalhavam por contas. Eu iria fazer dupla com algum estrangeiro ou mexicano e atenderíamos uma conta. O emprego estaria garantido enquanto a conta fosse da agência. Ops! Fiz as contas rapidamente e me imaginei trocando figurinhas com um gringo qualquer lá no México. Por um momento, lembrei do Ambrose Bierce engajando no exército de Emiliano Zapatta e se perdendo entre cactos, tumbleweeds e poeira. Até música do Enio Moricone ouvi! Seria desafiador, porém sem garantia nenhuma. A conversa foi agradável, mas tive que dizer pro Duailibi, depois, que não era pra mim. Aí, ele me convidou pra trabalhar na Interação.
O que eu disser da Interação é meu ponto de vista. Pode ser que esteja errado, mas foi o que senti naqueles tempos. Pois, aí, um dia a dona da agência me chamou e perguntou se eu tinha alguma coisa contra trabalhar dentro de um banco — que era cliente — e exigia uma agência dentro da empresa. Era o que se chamava house agency – agência da casa, né? Em Curitiba, eu já havia tido experiência atendendo diretamente os clientes, quase dentro das empresas. Tem milhões de pessoas dando palpites, criando junto, atravessando ideias… Anúncios e campanhas passam por diversos departamentos e… eu já tinha visto alguns anúncios daquele banco. Sei lá quem fez, mas eram ruins comparados aos de outros bancos. Fui direto dizendo à dona da agência que não queria ir trabalhar fechado no banco. Isso, com certeza, abreviou minha permanência lá.
Pra sempre grato com Duailibi, só tentei mais algumas agências em São Paulo. E me mandei da grande Meca publicitária diretamente pra Núcleo Sul — agência que atendia Tubos Tigre, em Joinvile. Aí, todo fim de semana eu pegava o ônibus e ia a São Paulo. Fui algumas vezes, só eu e o motorista, no ônibus do Circo Aéreo do Carlos Edo — outra figura ímpar que conheci — e uma vez com o jatinho da Cia. Hansen. Ainda morava com a Heloisa. Era bem mais perto do que o México, mas ajudou a acabar com nosso casamento.
Rui Werneck de Capistrano é escritor e letrista, autor de Simplesmente, gravada por Carlos Careqa no seu recém-lançado CD.
Às 6h00 desta terça de Carnaval, o carro alegórico da Beija-Flor que levava Roberto Carlos entrou na Marques de Sapucaí. Bastante aplaudido, o rei acabou cantando o samba em sua homenagem – pouco antes, ele havia dito que não pretendia cantar uma música em homenagem a si próprio. Erasmo Carlos e Wanderléa já tinham desfilado em outro carro, alguns minutos antes.
Há exatos 46 anos, os tres artistas estreavam o “Programa Jovem Guarda”, que mudaria a cara da Música Brasileira. Comandado por Roberto Carlos, o programa que estreou na TV Record divulgava musica feita por jovens dos subúrbios do Rio e de São Paulo, para jovens como eles, com canções próprias e versões de sucessos americanos, ingleses e italianos. Era o começo de uma carreira que só iria se fortalecer como passar dos anos, e que teria o Sambódromo como suprema consagração.
Capa do livro “Jovem Guarda” de Ricardo Pugialli
O Brasil ainda vivia a ressaca pós-Collor. E eu em São Paulo, dando cabeçadas em ponta de faca. Já tinha passado a fase Enio Mainardi e pensava que dali em diante nada podia me espantar.
Comecei a mandar textos meus pro Roberto Duailibi. Quaisquer textos e mais meu currículo. Eu levava até a DPZ e entregava na recepção. Um dia, ele me chamou pra conversar. Só que não era na DPZ e sim numa outra agência que se chamava Interação. Me deu o endereço e eu fui. Sempre com aquela boa sensação de estar entrando, finalmente, na vida publicitária paulistana. Eu já tinha um currículo bem fortalecido. Já havia passado por todas as provações em Curitiba. Assim pensava… Mas…
São Paulo é grande e forte. E muito estranha. A agência era da mulher do Duailibi. A conversa foi boa e fui admitido. Com carteira assinada e tudo! Eu morava com a Heloisa na Vila Madalena, pegava o ônibus perto e ia até a Faria Lima e de lá ia a pé até a agência — no Itaim – Bibi. Aí, começou o dilema. A agência ficava num escritório pequeno, nono andar. A sala de criação tinha uma mesa grande e todo mundo ficava em volta, menos dois diretores de arte que ficavam no canto — nos computadores. Era tempo de redator na máquina de escrever! Era bem agradável o ambiente. Só que ninguém passava job pra gente! Tinha uma mesa no canto com vários jobs, como se fosse um self-service. Eu olhava, olhava e não sabia se pegava ou não. Sabe quando parece que as coisas estão acontecendo noutro lugar? O front é lááááá adiante? E você está só numa trincheira onde nem uma bombinha explode perto?
Era assim. Os dias iam passando e eu não fazia nada! A redatora que já estava lá fazia umas coisas, mas não me passava na nada, muito menos os dois contatos. O Duailibi ia algumas vezes lá. Numa dessas, ele propôs aos criadores da agência um desafio: fazer a capa pro segundo volume do Phrase Book. Job extra. Uau! Finalmente alguma ação. Achei que todo mundo ia participar e dar sugestões. Me enganei. Fiz vários rascunhos em papel sulfite e tentei cooptar os diretores de arte. Eles simplesmente me ignoraram. Um deles era americano ou inglês, sei lá. E mal arranhava o português. Se refugiava nisso e nem abria a boca na sala. Quando o Duailibi voltou, fui logo mostrar meus rascunhos. Ele olhou e ficou por isso. Eram precários, feitos só a lápis. Aí, quando perguntou pros outros… Ninguém apresentou nada. Os diretores de arte, como era comum naquele tempo, só diziam ah, tenho umas idéias aqui no computador! Mas não mostravam. Era praxe! Ninguém se envolvia! Uma vez convidei todos da criação pra ir num boteco que eu havia descoberto ali perto. Só foram a redatora, a contata e mais alguém que não me lembro. E foi só uma vez. Eu queria fazer amizade, mas ninguém se apresentava. Cada um defendendo seu cantinho. Tudo bem. A capa do volume dois acabou mudando somente de cor em relação ao primeiro.
Na única campanha feita — pela outra redatora — tentei dar um palpite e fui ignorado. Fiz a festinha do meu aniversário lá e pensei que ia engrenar. Nada. O tempo passava e eu já via a escuridão no fim do túnel. E ela realmente chegou. Deu um mês de agência e nenhum job. Um dos filhos do Duailibi foi trabalhar lá e pediu sugestões de nome prum restaurante italiano. Job extra. Metido que sou, fiz uma lista enorme. Insisti num dos nomes que mais gostava — Avanti! — e ficou por isso. E ninguém mais apresentou nada. Lembro ainda de ter falado pro Duailibi sobre o slogan do Serra, que disputava as eleições. O slogan que eles tinham feito — na DPZ — era Quem vota em Serra, não erra. Falei pro Duailibi que havia um ruído estranho ali e sugeri Quem vota no Serra, não erra. Acho que trocaram, mas não posso afirmar que a sugestão foi minha, entende? O Serra foi eleito! Eu não. Um mês e tchau!
Tem mais um capítulo nessa história, mas fica pra outra oportunidade.
Rui Werneck de Capistrano é campeão de pegar job extra

Sabe aquela formiguinha bonitinha que passa carregando uma folha enorme nas costas, correndo de um lado para o outro no seu jardim? Aquela da fábula de La Fontaine, trabalhadora, esforçada, etc e tal? Pois você não tem idéia do estrago que esta bichinha pode fazer. Assista este vídeo e entenda porque se dizia que ou o Brasil acaba com as formigas, ou elas acabam com o Brasil.

Tragam o acusado! Disse o Diretor do Conselho Nacional de Educação aos seus assistentes. E assim foi feito. Abriram sua tumba, no cemitério da Consolação, e nem deram tempo de ele bater a poeira do terno preto e já o colocaram em um jatinho fretado com destino a Brasília. Com os olhos esbugalhados, não só pelo fato de não ver a luz do dia há mais de sessenta anos, mas pela inesperada visão da Esplanada dos Tres Poderes, Monteiro Lobato não conseguia nem falar de tão maravilhado com tanta novidade.
Logo que entraram no Tribunal, nem lhe deram um copo d’água e foram logo fazendo as perguntas de praxe: nome, endereço, data de nascimento e morte, cor dos olhos e da pele, religião, sexo. Tudo conferia. Era mesmo o acusado.
- Sr. José Renato Monteiro Lobato? Perguntou o Juiz de plantão.
Olhou em volta antes de responder, com se pudesse haver outro Lobato naquela sala: – Sim, sou eu, mas pode me chamar de Lobato.
- Sr. Lobato, o Sr. tem idéia de porque foi trazido diante deste Tribunal? Perguntou o Juiz.
- Isto é um Tribunal?
- Sim, e Sr. está aqui na condição de réu.
- Réu? Mas de que me acusam desta vez?
- Graves acusações, Sr. lobato.
Franzindo as grossas sombrancelhas, Monteiro Lobato arriscou: – Seria por causa da Campanha do Petróleo É Nosso? Mas já paguei por isso em 1941 com 3 meses de prisão. Tive que negar que houvesse uma gota de petróleo em solo brasileiro.
- Não, meu caro – disse o Juiz com um sorrisinho malicioso – isto já está superado, o Brasil hoje é um dos maiores produtores de Petróleo do mundo, não é este o problema.
- Será então que tem a ver com a minha recusa à indicação da Academia de Letras?
- Não, sr. Lobato. O Sr. está aqui acusado de racismo – bradou o Juiz, levantando a voz.
- Racismo? Ainda aquele episódio do meu artigo sobre a indolência do caipira brasileiro? Mas já me retratei, entendi que sua preguiça era devido à infestação de vermes que assolava os pobres coitados.
- Muito pior, Sr. Lobato, o sr. zombou das minorias indefesas em suas obras infantis.
- O Sr. não está se referindo à boneca Emília e ao Visconde de Sabugosa?
- Pior, Sr. Lobato, o sr. fez pilhérias sobre um personagem obeso!
- Oh, meu Deus, o Marquês de Rabicó!
- Nada disso, é uma questão que envolve preconceito de cor, Sr. Lobato.
- Ah, o Saci Pererê… mas na cultura popular ele é preto e perneta, o que eu poderia fazer….
- Tragam as provas – ordena o Juiz ao contínuo, o único negro da sala, que imediatamente traz um volume de Caçadas de Pedrinho.
- Leia o trecho marcado – diz o Juiz ao rapaz negro, que começa a ler com voz tímida:
- E então disse Emília: é guerra…
- Mais alto, fale como homem! – brada o Juiz:
- “É guerra” – repete o rapaz, elevando a voz – “e guerra das boas, não vai escapar ninguém – nem Tia Anastácia, que tem carne negra.”
- Sr. Lobato – diz o Juiz – o Sr. não se envegonha de pregar idéias discriminatórias, afrontando as leis de um país que pratica a igualdade? Um país onde até um nordestino de língua presa e sem instrução pode se tornar Presidente? Onde até mesmo a uma mulher divorciada e de voz grossa é permitido governar os homens da nação? E um palhaço cearense, cabeça chata e analfabeto, pode tornar-se Deputado Federal com os votos de milhões de eleitores ignorantes?
- Monteiro Lobato ouvia tudo de olhos arregalados.
- Sr. Lobato, em nome do bem estar das criancinhas brasileiras, declaro sua obra Caçadas de Pedrinho banida de nossas escolas. E pode voltar de onde o Sr. veio. Está encerrada a sessão.
Quando fecharam novamente a tumba, ouviu-se um suspiro de alívo seguido de um sussuro: – Do que me livrei…
Lee Swain
Eu, por outro lado, sempre que leio suas crônicas, além de lembrar do perfume e da simpatia daquela curta viagem de uma tarde de verão, penso sempre: Danuza é muito gente. Foi o que pensei hoje novamente, quando descobri seu blog, e li sua crônica “O bem maior”, em que ela preconiza o valor de nos importarmos com o próximo. Acho que se ela fôsse candidata nestas eleições, teria meu voto.
Lee Swain
Em pesquisa feita com 400 mil universitários, divulgada na Revista Veja de 14 de julho, Roberto Justus foi citado como o o líder mais admirado por 35 mil jovens, à frente de Eike Batista, Steve Jobs, Lula e Barack Obama.

Ontem meu chapéu me contou um segredo: sonhou que era o chapéu do Roberto Justus, e que tinha sido ovacionado em um programa de auditório em que o publicitário cantava “Singing in the rain” com ele na cabeça. Confesso que esperava tudo dele, menos ser trocado por outro publicitário. Mesmo em sonho. Mas depois parei para pensar, e vi que meu chapéu tinha lá suas razões.
Ok, minha voz está mais pra Tom Waits que pra Frank Sinatra, é só uma questão de estilo, sou mais intimista. O Roberto Justus namora a filha da garota de Ipanema; minha praia é outra, sou mais a minha Maria.
A conta bancária dele tem alguns zeros à mais que a minha, mas afinal quanto vale um zero? O programa dele deve ter alguns pontos a mais de audiência que o meu blog, mas isto é só uma questão de tempo (me aguarde, Roberto). Mas quando meu chapéu falou do topete… bem, aí tive que dar o braço a torcer. Um topete daqueles deve ser o sonho de consumo de qualquer chapéu, seja um Borsalino italiano, seja uma réles touca de banho. E do alto da minha calvície pensei: tudo bem, tudo bem… em compensação, nunca terei cabelos brancos. Nem caspas.

Quem entre nós não foi vítima do culto a alguma celebridade? Não importa se o objeto de nossa admiração são estrelas de cinema, atletas, poetas ou políticos, estamos famintos por informações sobre eles. Queremos saber o que estão dizendo, o que estão vestindo, onde estão indo e com quem estão saindo. Na verdade, a indústria de bilhões de dólares gira em torno da nossa incansável obsessão por celebridades. E agora uma nova pesquisa científica revelou que celebridades, são uma paixão não apenas comum, mas talvez saudável: um estudo recentemente sugere que o ato de adoração da celebridade pode ser uma bênção para a auto-estima de algumas pessoas.
Shira Gabriel, uma psicóloga da Universidade de Buffalo, realizou uma série de estudos sobre adoração às celebridades, centrando-se especificamente sobre a forma como a admiração pode afetar a auto-estima das pessoas. Segundo Gabriel, a fronteira entre o saudável e a doença é muito tênue, e mais gente do que se imagina sofre com este problema.

Uma foto de Lídia Brondi publicada recentemente aqui neste blog causou grande comoção entre seus admiradores, motivada talvez pelo fato da atriz estar muito tempo fora de cena e poucos a reconhecerem imediatamente. Muitos fãs passaram a frequentar o blog diáriamente para ler sobre ela, enquanto que outros criticaram o site pela publicação da sua imagem sem retoques. Quem está certo? O blogueiro por publicar uma foto feita com o consentimento da atriz, despretensiosamente? Ou o fã que se considerou ofendido em nome da celebridade? Amanhã voltaremos a falar do assunto.
O encontro com Lídia, Quem matou Odete Roithman, Lídia Brondi, o retorno, Muito além do Photoshop, Aniversário de Lídia

Quanta coisa já não se extraviou nas mudanças de casa. No passado, eu mesmo perdi coisas preciosíssimas, como uma série de poesias do Paulo Leminski criadas exclusivamente para um calendário que projetamos juntos, e nunca saiu do papel.
E da minha mudança de hoje, começaram a aparecer os primeiros prejuízos. Meus pobres chapéus foram literalmente esmagados, mesmo protegidos por uma caixa de papelão ondulado. Quer dizer, ondulado ficou o meu Panamá, que deve ter suportado maus tratos dignos das ditaduras mais cruéis. Me fez nascer a idéia de lançar uma campanha pelos Direitor Humanos dos Chapéus.
P.S: se alguém souber de uma clínica de chapéus, por favor me avise.

Lee Swain

O ano será 2050. Alguns, ou melhor, dizendo, muitos de nós ainda estaremos por aí e por aqui. As praias estarão lotadas de corpos bronzeados com protetores fator 300. Swain e seu chapéu para a ocasião, de palha, presente, tomando uma caipirinha e pensando na vida. Neste domingo as pessoas estarão segurando no ar e lendo, as imagens dos jornais sendo projetados no espaço por um pequeno raio lazer holográfico disparado pela objetiva do IPad versão 44.
A consistência e textura das folhas de papel serão iguais ao do material usados nos idos de 2010. Alguns já terão a novíssima versão 45 e que incorpora a função True Wind, com a qual a leve brisa marinha balança levemente as folhas do jornal com seu som farfalhante. De repente, “sol e chuva, casamento de viúva” as gotas grossas da chuva passageira, irão separar o joio do trigo. A maioria se refrescando agora com a garoa carinhosa continuará a ler sem problema, pois a versão 46 que incorpora a função True Rain esta prometida pelo centenário Steve Jobs, apenas para o próximo verão. Alguns poucos metidos e exibicionistas, logicamente milionários para poder arcar com o custo da assinatura, começarão a sentir o raríssimo e delicioso cheiro do papel jornal molhado em suas mãos. Um prazer para poucos, naquele dia, mas logicamente para todos, na futura versão iPad 47.
Ano de 2051. iPad 48. Finalmente atingimos a perfeição.
Obs: Favor jogar na lata de lixo: PAPEL PARA RECICLAR, após sua leitura.

Fabio Taccari é Designer Gráfico e escritor, autor de Pequenos Anjos de Pedra.

A Igreja Católica esperneou quando foi divulgada a cena do recém-lançado 2012, onde nosso ícone nacional, o Cristo Redentor, é tragado por um tsunami descomunal. Uma imagem muito forte, muito superior à imagem da Casa Branca destruída em outro blockbuster do gênero grandes tragédias. E por quanto pudessem parecer possíveis apenas na ficção, ambas as cenas foram premonitórias. Uma precedeu a tragédia de 11 de setembro. E a outra começou a se desenhar na madrugada de ontem, e ocupou os telejornais do mundo todo. Triste coincidência. Só não acertaram o ano.

O Segundo Corpo cede à pergunta estúpida
Fazia frio em Paris em 2009. Ler e dormir era o melhor a se fazer. O livro daquele dia remontava a um passado distante, ao passo que sua leitura, igualmente arcaica, produzia um relaxamento tão grande que as constantes e, às vezes, demoradas piscadas não permitiam concentração capaz de manter os olhos fixos a um determinado parágrafo.
Foi então que o leitor começa a sentir todo o seu corpo formigar e conforme a intensidade desta sensação aumentava, sentia-se cada vez mais lúcido, embora não percebesse mais o cansaço proveniente daquele obsoleto texto.
Em seguida, nota que, como se fosse um balão, seu corpo se expande. A sensação era incrível, incomensurável. Era pura leveza, parecia não estar mais preso ao seu corpo. E, de fato, enclausurado não estava mais. Observou que sua armadura ficara, enquanto subia e subia…
A subida transcendeu o teto da casa e, do alto, podia se enxergar toda Paris. Reparou que, apesar da neve, não sentia frio, como algumas outras pessoas que mantinham simples e leves vestes. Por outro lado, alguns outros, com enormes casacos, aparentavam estar com muito frio.
Em seu passeio por Paris, avista, perto da Ilha de Saint-Louis, um trio de mulheres. Todas apenas de vestido. Restou, portanto, a vontade de lhes indagar por que elas também não passavam frio. Contudo, ao se aproximar, escuta uma calorosa discussão, sendo que uma delas, com eloqüência, pergunta: Afinal, quem matou a bendita da Odete Roitman?
Aquilo lhe causou tamanha inquietação e começou a se sentir puxado. Era uma volta, simultaneamente: rápida e lenta, impactante e suave, consciente e inconsciente.
Acorda atordoado. O livro cai. Sabia que o fato de ter conhecimento da resposta para aquela estúpida pergunta lhe custara a volta. E, mais ainda, custara-lhe deixar de conversar com aquele trio.
Eram Simone de Beauvoir, Ruth Cardoso e Frida Kahlo e acredite se quiser…

E justificava sua tese com um argumento arrasador: os grandes enigmas que sempre intrigaram a humanidade, como as pirâmides do Egito e de Macchu Picchu, as esculturas da Ilha da Páscoa, os Dolmens gigantes da Dinamarca, segundo ele não poderiam ter sido executadas sem o auxílio de recursos muito além daqueles disponíveis na época.
Se algumas de suas teorias se mostraram insconsistentes com o passar dos anos, muitos enigmas ainda continuam sem uma resposta satisfatória. Os homens insistem em vasculhar o céu em busca de alguma resposta nas estrelas com potentes telescópios digitais acoplados em espaçonaves. O mesmo céu que nossos ancestrais vasculharam com suas lunetas medievais, contra tudo e contra todos, com sua curiosidade muitas vezes acabando nas fogueiras da Santa Inquisição.
O impacto causado pelas descobertas dos grandes navegadores não encontra paralelo na história da humanidade. Mudou a visão de mundo da época, acabou com o feudalismo, e foi o motor propulsor do Renascimento e da era Moderna. Enquanto a grande maioria ainda acreditava em uma terra plana, os Colombos e Vascos da Gama arriscavam o couro em naves mambembes, com instrumentos precários, tratados como doidos varridos que desafiavam o senso comum.
Pois bem, o que diz o senso comum em relação aos UFOS, OVNIS e ET’s em geral? Agora imagine só a cara dos tupiniquins quando assistiram as grandes velas lusitanas aportando em suas plácidas praias atlânticas, e viram descer aqueles seres com pêlos na cara, pedaços de couro e tecido por todo o corpo, e com a cabeça coberta por entranhos artefatos?
Acho que é a mesma cara que você vai fazer se a teoria de Erich von Danichen estiver certa.
Lee Swain

O Stalinista e a Introdução à Ufologia.
Seu querido filho volta do primeiro dia aula. Ao responder a pergunta maçante de sempre, o menino, no tédio, diz:
- Normal, tive aula de introdução à ufologia…
O pai, stalinista, logo soltou uma risada daqueles que dominam o ambiente, como se nada mais existisse, além de uma risada.
No jantar, o aparente desdém se tornou curiosidade e o pai indaga ao filho sobre o que se falara naquela insólita aula.
Fora colocado pelo Professor, ex-guia de ufoturismo na bela cidade Alto Paraíso, um acontecimento denominado “A noite oficial dos Ufos”.
Utilizando-se de simples e fantasiosa linguagem, o menino reporta que, em 1986, os passageiros de um avião (Xingu da Embraer) notam, perto de São José dos Campos, a presença de esferas luminosas voadoras, sendo que as maiores eram seguidas por pequenas esferas (na ufologia conhecida como sondas) que pareciam orbitá-las.
A Força Aérea, disse o garoto, foi acionada e colocou seus caças (três F-5E e três Mirage) no ar. Nenhum deles, contudo, conseguiu se aproximar o suficiente das tais esferas.
O pai, já com o rosto de desinteresse, ouve o filho comentar que no dia seguinte àquele acontecimento, o Ministro Lima (Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima) apareceu publicamente, com os pilotos, para comentar o assunto. Segundo os militares, eram 21 objetos não identificados com deslocamentos muito rápidos, inclusive em zigue-zague.
Volta-se a ouvir uma risada, era, novamente, o pai, que retruca ao menino:
- Bom, agora quero saber o que cairá na prova desta matéria?
Calmamente, o garoto responde:
- Pai, deixe de ser burocrata, em ufologia não há prova e acredite se quiser…
José Guilherme Gregori Siqueira Dias