6
 fev
Cidade, Consumo, Do chapéu
Paissandú, a tradição em chapéus.

Recebo várias mensagens de leitores querendo saber onde me abasteço de chapéus, outros querendo saber onde encontrar determinados modelos, e ainda aqueles que pensam que sou uma loja do ramo e me fazem encomendas. Já cheguei a pensar em abrir uma chapelaria virtual, mas logo a idéia me saiu da cabeça.

Uma das lojas mais tradicionais de chapéus em São Paulo, a Chapelaria Paissandú, está há mais de 50 anos instalada no Largo que lhe dá o nome, bem no centro da cidade. Passei por lá este fim de semana depois de mais de um ano da última compra, e fiquei triste ao saber que o Sr. Walter, o paciente vendedor que me atendia, partiu desta para melhor. Ali mesmo, tirei meu Panamá recém adquirido em sua homenagem.

De bonde a troleibus, a vitrine da Chapelaria Paissandú já deve ter visto de tudo nos seus mais de cinquenta anos de existência. Entre seus cliente mais famosos, estão Ivete Sangalo, o jogador Viola e o pessoal do Exalta Samba. Além de atenciosos, os vendedores só de olhar já sabem o tamanho da sua cabeça e os modelos que combinam com determinado formato de rosto. Tradição tem o seu valor.


Postado por Lee Swain às 9:03 | Nenhum comentário
30
 jan
Arte, Cidade
Ciclo fechado

Depois de mais de tres meses de trabalho, chega ao fim o ciclo do projeto dos Caminhos Efêmeros da Poesia, com a inauguração feita neste Sábado e Domingo das instalações dos Relógios da Poesia, que criei para 4 Parques de São Paulo: Ibirapuera, Parque da Juventude, Villa Lobos e Parque Ecológico do Tietê.

Rita Alves, Eu e Meu Chapéu no relógio do Villa Lobos
Ciça e Zélio Alves observam Antonio Peticov fotografando o Relógio
Eu e Meu Chapéu, com cara de dever cumprido.

Os relógios são obras perenes, feitas em parceria com a poeta e historiadora Rita Alves, que selecionou as poesias e foi responsável pela curadoria do evento. Poesia Não Tem Hora contou com o apoio da prefeitura e do governo do Estado de São Paulo.

Postado por Lee Swain às 9:48 | 3 comentários
30
 jan
Arte, Cidade
Saindo da lama

Foi tanta chuva que caiu sobre São Paulo semana passada, que o Parque do Tietê acordou encharcado, e o Relógio da Poesia que ali instalei, amanheceu coberto de lama. Mas a poesia resistiu bravamente. Uma equipe de limpeza foi destacada para lavar as pedras para a inauguração neste domingo, e trazer de volta à vida os textos de doze poetas sobre a cidade de São Paulo. Nenhum falava de chuva.

O Relógio da Poesia do Parque do Tietê foi o último a ser inaugurado. Nos outros parques (Villa Lobos, Ibirapuera e Parque da Juventude) instalei os relógios em torno de árvores frondosas. Árvores que fazem alusão à vida, e também funcionam como ponteiros. Mas no parque do Tietê não havia uma situação parecida, e tive que fazer o contrário: instalar o relógio em um descampado, e plantar uma muda de árvore no meio. Um pé de Manacá, que espero cresça rápido para proteger as poesias e dar sombra aos leitores e passantes.

Postado por Lee Swain às 9:44 | Nenhum comentário
25
 jan
Aniversário, Cidade
São Paulo 458 anos

A cidade que não pode parar cria molduras com seus próprios restos, na gana de abrir mais espaço para seu crescimento insaciável. Restos do Edifício São Vito, em frente ao Mercado Municipal de São Paulo.

Quem ama São Paulo enxerga beleza mesmo nos seus defeitos. Meu Chapéu, que tem um olhar generoso para a cidade, vê arte até em um buraco interditado na Rua dos Pinheiros. O amor não é cego, apenas enxerga aquilo que quer ver.

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28
 set
Cidade
Lixo Ordinário II

Clique nas fotos para ampliar

Sábado no Brás. Como de hábito, uma vez ao mês pelo menos, Eu, Maria e Meu Chapéu passamos na rua Santa Rosa para nos abastecer de comes e bebes. Queijos, vinhos, cereais e hortifrutis a preço de atacado. Vale a pena não só pela economia, mas pelo passeio.

No final da rua, um entreposto de hortifrutis conhecido como Ceasinha é a festa para o Meu Chapéu, que desde que assistiu Lixo Extraordinário de Vick Muniz, não pode ver um latão que já quer chafurdar. Sem contar a fauna de carregadores, vendedores, ambulantes e desocupados que circula na área, um mundo à parte. Nada como quem tem um chapéu curioso. Fotos: Lee Swain

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31
 ago
Cidade
O tempo da minha janela

O tempo da minha janela

Postado por Lee Swain às 6:07 | Nenhum comentário
22
 ago
Cidade
Estranha coincidência

Ponte Estaiada, vista da janela lateral do meu escritório, no Real Parque

Justo neste sábado, em que criei a seção “O Tempo da Minha Janela”, com a foto da Ponte Estaidada ilustrando a situação do tempo na cidade, leio a notícia da morte do arquiteto que a projetou.

Na tarde deste sábado, em Salvador, morreu o arquiteto João Valente Filho, 62, responsável pela criação da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, que liga a avenida Jornalista Roberto Marinho à marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo.

Valente Filho, que morava em São Paulo, estava na capital baiana para a participação no 2° Simpósio Internacional de Arquitetura e Construção Sustentável, no qual foi palestrante na sexta (19).

Por volta das 16h, ele passeava pela cidade quando passou mal. Segundo o amigo e organizador do simpósio, Vitório Junior, o arquiteto teve um ataque cardíaco e foi encaminhado para o hospital Menandro de Farias, no município de Lauro de Freitas (BA).

Além da ponte estaiada, o arquiteto tem participação em projetos como a requalificação urbana do Complexo do Maracanã, no Rio de Janeiro, e a passarela de pedestres da avenida Cidade Jardim, em São Paulo.

Postado por Lee Swain às 8:34 | Nenhum comentário
20
 ago
Cidade
O tempo da minha janela

Da janela lateral do escritório da minha casa, tenho uma vista privilegiada da cidade: a ponte Estaiada da Av. Água Espraiada, que horroriza muitos arquitetos, mas que Eu e Meu Chapéu adotamos como nosso ponto de referência preferido do Real Parque.

Postado por Lee Swain às 12:16 | 3 comentários
27
 jul
Cidade
Real Parque. Bela bosta.

Eu e Meu Chapéu moramos há pouco mais de um ano em um edifício dos anos 70, confortável mas sem grandes luxos, no bairro com o pomposo nome de Real Parque. Verticalizado e muito arborizado, o Real Parque faz parte do distrito do Morumbi, considerado um bairro nobre de São Paulo.

Nos chamou a atençao logo de cara o deserto das ruas. Não se vê gente circulando no Real Parque. Talvez pela falta de comércio, tudo é feito de carro. Apenas em algumas raras ilhas se vêem seres humanos. Há mais de um ano costumo levar Meu Chapéu caminhar em uma pracinha, onde cruzo com meus vizinhos de bairro. Nunca ninguém nos deu bom dia, nem sequer um cumprimento de cabeça. E olha que são as mesmas pessoas sempre.

Gente estranha estes moradores do meu bairro. Talvez pertençam à realeza, como sugere o nome do bairro, e seu sangue azul não permita que se dirijam aos mortais. O fato é que estes nobres senhores levam seus animais passearem na tal pracinha, e muitos, apesar da pose, não se importam em deixar rastros indesejados pelo caminho. Também nunca vi ninguém cobrar atitudes civilizadas destes senhores, o que reforça minha tese de que o único plebeu deste bairro devemos ser Eu e o Meu Chapéu. Foto: Lee Swain

Postado por Lee Swain às 6:02 | 7 comentários
28
 jun
Cidade
A Paulista que nunca foi dos barões

Casarões da Av. Paulista no início do século passado

Depois da visita à Casa das Rosas na semana passada, Meu Chapéu ficou curioso e quis conhecer mais sobre a Av. Paulista que abrigou os casarões dos barões do café e suas histórias.
Dando um Google rápido, caímos no ótimo blog São Paulo Antigo, e qual não foi  nossa surpresa ao lermos o post “A avenida que nunca foi dos barões”, em que o autor desmistifica a tese de que a Paulista teria sido reduto dos nobres senhores do café.  O pesquisador constatou  que na verdade a Avenida Paulista começou a ser povoada por empresários e profissionais liberais sem títulos nobiliárquicos.

Av. Paulista em 1902, vista da torre do palacete VonBullow.

Segue trecho do blog: “Inaugurada em 8 de dezembro de 1891, portando já no período republicano, a avenida Paulista foi ter a primeira casa construída em 1895, por Adam Von Bullow, presidente da Cia. Antarctica. Um ano depois Francesco Matarazzo terminou sua residência, uma casa térrea com planta tradicional, quando a norma já eram os padrões franceses de distribuição”…


Palacete Von Bullow, construído em 1895.

Ao que tudo indica, os aristocratas nunca se encantaram com a Av. Paulista, e não abriram mão de seus casarões nos tradicionais Campos Elísios e Higienópolis, deixando espaço para a nova elite que cresceu fazendo fortuna no comércio e na indústria.

É na virada do século que começa a efetiva ocupação da avenida, como mostra a célebre fotografia de Guilherme Gaensly tirada em 1902 da torre do palacete Von Bullow.  Nenhum dos membros de famílias como Silva Prado, Souza Barros, Arruda Botelho, Paes de Barros, Souza Queiróz ou Penteado tiveram residência na Paulista até 1910.  ”O resto é lenda”, como diz o autor do blog São Paulo Antigo.

Postado por Lee Swain às 6:04 | Nenhum comentário
21
 jun
Cidade
Em busca da história da cidade

Eu estava em dívida com Meu Chapéu. Já fazia algum tempo, prometera levá-lo conhecer a Casa das Rosas, na Av. Paulista, um dos poucos palacetes que resistiu à voracidade do empreendedorismo cego que arrasou uma das avenidas mais belas da cidade.  Quando mostro ao Meu Chapéu fotos antigas da Avenida Paulista, quase sempre ouço um suspiro seguido de um longo silêncio. É difícil mesmo crer que se hoje tivéssemos a opção de escolher, não mudaríamos o curso da história.

Mas hoje o que nos resta é gozar deste pouco que sobrou como quem prova uma iguaria rara. E assim, em uma tarde de um sábado preguiçoso e ensolarado, aproveitei a desculpa de levar Meu Chapéu passear para também conhecer o tal palacete, cuja fachada sempre me despertou enorme curiosidade.

Almoçamos ali mesmo. A antiga garagem da Casa das Rosas hoje é ocupada pelo Restaurante Il Pastaio, ex La Pastina, que serve massas honestas a preços idem, além de oferecer a vista única do pátio que dá para o grande jardim de rosas, que celebrizou o palacete.

Entramos no casarão. O estilo arquitetônico nos transporta imediatamente para a Europa, talvez para a França. Na Wikipédia leio que o casarão foi projetado pelo escritório de Francisco de Paula Ramos de Azevedo pouco antes de sua morte, e finalizado em 1935. A casa abrigaria a residência de uma de suas filhas, Lúcia Azevedo Dias de Castro, casada com Ernesto Dias de Castro. O imóvel foi habitado até 1986, quando sofreu desapropriação pelo governo do estado de São Paulo.

O palacete está em ótimo estado de conservação. Meu Chapéu começou a me fazer perguntas que não soube como responder. Quis saber como era a vida ali naquela casa. Infelizmente as referências que nos dariam alguma pista foram eliminadas.  Um pecado que a residência tenha sido descaracterizada, e não se vejam mais o móveis onde a família Dias de Castro sentava para ouvir piano, a mesa onde faziam as refeições, a cama onde foram concebidos os herdeiros.  Me lembro que visitando o Palácio de Versailles, na França, entendia-se o que acontecia em cada cômodo através dos móveis e objetos mantidos como testemunhas da história. Na cozinha, recordo que todos os utensílios estavam ali, como se esperassem o chef voltar para preparar a refeição de Maria Antonieta. Facas, pratos, tábuas, panelas, tudo intacto.

Em 1991 foi inaugurado no local o espaço cultural batizado de “Casa das Rosas” em homenagem aos seus grandes jardins de rosas. A partir de 2004, a Casa se tornou o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e passou a ser administrada pelo professor e poeta Frederico Barbosa. O Espaço abriga também a primeira biblioteca do país especializada em poesia e também uma livraria da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que comercializa apenas livros de editoras universitárias.

Na saída do passeio inspirador, Meu Chapéu me chamou a atenção para dois jovens sentados em um canto do jardim, com um caderno nas mãos. Nos aproximamos e vimos que desenhavam detalhes arquitetônicos do palacete. Perguntei se eram estudantes de arquitetura, e nos responderam que não, que apenas gostavam de observar e desenhar sua cidade. Jovens tendo que roer os ossos de um dos únicos legados que lhes foi deixado para entender sua história.
Não pude deixar de sentir inveja dos nossos vizinhos argentinos, que souberam valorizar seu patrimônio arquitetônico e deixaram tantos tesouros para seus “pibes”.  Destes a história vai lembrar.

Fotos: Lee Swain e Maria Taccari

CASA DAS ROSAS – Espaço Haroldo de Campos
de Poesia e Literatura
Av. Paulista, 37 – Bela Vista – São Paulo – Brasil – (11) 3285.6986 / 3288.9447 – contato.cr@poiesis.org.br

Postado por Lee Swain às 6:06 | 2 comentários
4
 jun
Cidade
Deu no Kibe Loco

Surrupiei este post do Kibe Loco, um dos blogs de humor mais visitados do Brasil. O que é bom, é pra botar na roda.

A CIDADE MAIS BONITA DA BANDA . A história é a seguinte: um artigo da revista “Newsweek”, uma das mais famosas do mundo, classificou a cidade americana de Grand Rapids, no Michigan, de “moribunda”.
Revoltados, moradores e autoridades da cidade se mobilizaram e, em vez de apelar aos tribunais, recorreram à… música. Isso mesmo! Música.
No último dia 22, a cidade parou (literalmente) para gravar um clipe da música “American Pie”, de Don McLean. Entre bandas, desfiles, carreatas, efeitos especiais, helicópteros e até um casamento, 5 mil pessoas foram envolvidas.

Postado por Lee Swain às 9:08 | 2 comentários
1
 jun
Cidade
Curitiba, a bela

A Curitiba que eu deixei para trás em meados dos anos 80 já não era a mesma cidade pacata, fria e provinciana onde nasci, em 1954. Tinha passado por duas gestões de Jaime Lerner, o que não é pouca coisa. O polêmico fechamento da rua das Flores para circulação de carros, que os comerciantes temiam que fosse acabar com seus negócios era coisa do passado. Os primeiros parques já funcionavam, e os bairros começavam a se aparelhar com ruas destinadas exclusivamente ao lazer dos moradores. As vias rápidas já cortavam a cidade de norte a sul, os ônibus circulavam nas vias expressas, e as primeiras empresas começavam a se instalar na Cidade Industrial. O Shopping Müller, o primeiro da cidade, era um sucesso de crítica e público.  Falando em crítica, claro que tinha a turma que pregava que tudo aquilo estava acabando com a cidade. E estava mesmo. Acabando com uma Curitiba sem atrativos, sem cara, que não se gostava, e que era apenas ponto passagem para quem ia visitar Foz do Iguaçu. Estava nascendo uma cidade que soube recuperar sua auto-estima, explorar seus valores e não ter vergonha de exibir suas belezas.

Passadas mais de duas décadas de quando deixei Curitiba por São Paulo, assisto a este vídeo e vejo como o patinho feio se transformou em uma cidade cheia de atrativos, que soube se antecipar ao futuro sem abrir mão do passado. Deu orgulho de ser curitibano. Dirão os críticos, mas e as favelas, o vídeo não mostra? Claro que elas existem, mas você já assistiu um vídeo produzido pela prefeitura de Nova York que mostra o Harlem?

FICHA TÉCNICA: Direção: Carlos Deiró – Texto: Penca – Supervisao: Eloi Zanetti – Locução: Luis Mello – Cliente: Instituto Municipal de Turismo – aprovação Juliana Vosnika

Postado por Lee Swain às 9:19 | 8 comentários
20
 mai
Cidade
Renasce uma cidade

A matéria publicada dia 18 aqui no blog do Meu Chapéu sobre o restauro do Hotel Marian, superou todas as expectativas de audiência, provando que tem muito mais gente interessada na recuperação do centro de São Paulo do que se imagina. Cresce a cada dia a consciência de que o cidadão, como a própria palavra sugere, pode e deve zelar pela sua cidade. O arquiteto Arnold Pierre, responsável pela reforma do edifício que representa um marco da arquitetura Art Déco de São Paulo é um dos que com seu trabalho, contribui para preservar a memória da cidade.

Pierre nos enviou uma foto da construção do Hotel Marian, que lançou o conceito de flat no Brasil. O Edifício Regência, do mesmo período do Hotel Marian, é obra do mesmo arquiteto, Arquimede de Barros Pimentel. São Paulo dava início à verticalização do espaço urbano, que enfrentava grande preconceito na época.

Links relacionados: São Paulo na rede, A lista de Arnold Pierre

Postado por Lee Swain às 6:06 | Nenhum comentário
18
 mai
Cidade
A Lista de Arnold Pierre

Sabadão de sol, Eu e Meu Chapéu fomos acompanhar Maria até a Igreja do Largo de Santa Ifigênia, no centro da cidade. Para ela, um passeio com sabor de reminiscência, feito muitas vezes com o tio José Gregori e suas primas na infância. Para o Meu Chapéu, um apaixonado confesso pelo centro, um programaço.

No primeiro plano, a Igreja de Santa Ifigênia.

Logo na saída da Igreja, Meu Chapéu nos chamou a atenção para um edifício branco com detalhes em rosa e linhas arredondadas, em um inconfundível estilo Art Déco. Ficamos ali admirando e fotografando o prédio com jeitão de recém reformado, pintado de novo e aparentemente vazio, nos perguntando a que se prestaria o belo edifício. Uma portaria fechada no térreo indicava que ali funcionava o Hotel Marian.

Um simpático senhor que nos observava se aproximou e perguntou: “fizeram boas fotos?” Foi o que bastou para desandarmos a conversar e descobrir que se tratava do arquiteto que trabalhou na recuperação do Hotel Marian. Este já é o terceiro edifício do centro recuperado por Arnold Pierre, que se especializou em localizar prédios históricos deteriorados, reunir gente diposta a investir em sua recuperação e tocar a obra. Foi o que aconteceu com este belíssimo exemplar ao lado da Igreja de Santa Ifigênia.

Nos vendo assim interessados, Pierre se dispôs a fazer um passeio pelo empreendimento. Enquanto nos guiava pelo recém reformado edifício, o simpático arquiteto nos contou a história oculta por trás da placa de Hotel Marian. O prédio foi construído na década de 40 com a proposta inovadora de abrigar fazendeiros que visitavam a capital e queriam ter um pequeno apartamento em vez de manter casarões dispendiosos. Ou seja, o primeiro flat de São Paulo, construído por Germaine Burchard, vencedor do Prêmio Nacional de Arquitetura em 1942. Suas linhas aredondadas, uma grande novidade na época, fizeram do Marian um ponto de atração turística do centro.

A cada porta que Pierre nos abre, um oh! de admiração. Na bela cobertura com pé direito duplo, onde ficava o grande apartamento da família Burchard, uma vista de tirar o fôlego. Já os apartamentos do edifício são bem menores, medindo entre 35 e 50 m2, e com fila de espera para a compra. Embora o nome Hotel Marian seja mantido, o edifício será um prédio de apartamentos convencional.

Pé direito duplo em todas as peças da cobertura do Hotel Marian.

Pierre desfila com orgulho pela obra, fala com carinho dos detalhes da recuperação do imóvel, e nos conta sobre os planos de recuperação de outras jóias históricas de São Paulo. Ele tem consciência do valor de sua iniciativa na recuperação do patrimônio da cidade, mas é um homem discreto, e temos que insistir para fazer uma foto ao seu lado.

Maria fotografa da janela de um dos apartamentos redondos do Marian.

Ao final da visita nos depedimos do arquiteto com a sensação de termos conhecido um personagem raro, com um olhar generoso para o passado não tão distante de uma cidade voraz, que não poupou quase nada em sua insaciável fome de crescimento. A pequena relação de edifícios que Pierre pretende  recuperar nos lembrou da “Lista de Schiendler”, filme de Steven Spielberg sobre o empresário alemão que salvava judeus dos campos de concentração durante a II Guerra Mundial.  O Hotel Marian está salvo. Nossos netos terão a chance de conhecer um pedacinho do passado desta cidade. O centro de São Paulo agradece, e para Arnold Pierre tiramos o nosso chapéu.

Eu, Meu Chapéu e o arquiteto Arnold Pierre na cobertura do Hotel Marian.
Foto acima: Maria Taccari-
Fotos da matéria: Lee Swain

Links relacionados: Renasce uma cidade, São Paulo na rede

Postado por Lee Swain às 6:02 | 21 comentários
4
 mai
Cidade
São Vito é finito.

Chega ao fim a demolição do famoso treme-treme ao lado do Mercado Municipal. Abatido a marretadas por não ter subsolo que suportasse uma implosão, chega ao fim a agonia do São Vito. Um fotógrafo da Folha documentou toda a demolição.

Postado por Lee Swain às 9:29 | Nenhum comentário
29
 abr
Cidade
Passeando com Mr. Fulton

Uma das coisas que gosto de fazer quando vou a Curitiba, é botar meu pai debaixo do braço, e passear pela cidade. Seu Fulton, Como todos chamam meu velho pai, é uma figurinha. Difícil não gostar dele. Ao mesmo tempo que vive reclamando que está ficando desmemoriado, lembra de histórias de cada esquina da cidade.

Passeando com meu pai pelo alto da Rua XV, semana passada, Meu Chapéu me chamou a atenção para um velho edifício, provavelmente dos anos 40, com a inscrição “Graças a Deus” na fachada. Enquanto fotografava o “palacete”, Seu Fulton nos contou a história do nome: duas senhoras religiosas, lá pelo final dos anos 40, ganharam uma grande bolada na loteria, uma das maiores da época, e com a dinheirama construíram o edifício, de cuja renda viveram o resto de suas vidas. Não poderiam ter prestado homenagem mais justa.

Ouvindo esta pequena história, pensei em quanto sou feliz, por ter um chapéu que me mostra coisas que pouca gente vê, e um pai que lembra de coisas que pouca gente sabe.

Foto: Maria Taccari

Postado por Lee Swain às 8:10 | 11 comentários
23
 mar
Cidade
Solução para o transito

Quando todo mundo pensava que o trânsito de São Paulo não tinha mais jeito, aparece a solução. Breve nos Rios Pinheiros e Tietê, o Esgotão-Marginal, o transporte do futuro, diretamente de Rotterdam. Agora São Paulo não para, nem com enchente.

Postado por Lee Swain às 9:28 | Nenhum comentário
21
 mar
Cidade
Não é facil ser consumidor

Quando o pobre consumidor paulistano consegue escapar dos arrastões cada vez mais frequentes nos restaurantes da cidade, acaba vítima do próprio estabelecimento. Pelo menos é o que alega um cidadão que  ao jantar no Restaurante Arábia da Vila Boim, recebeu uma conta de R$ 173,00. Intrigado, resolveu somar, e qual não foi sua surpresa, quando viu que a calculadora havia se “enganado”, adicionando mais de 50% ao valor correto da nota. O que poderia explicar o fato? Bem, a coisa foi parar nas redes sociais, que demonstraram mais uma vez sua força mobilizadora. Pessoas revoltadas levantaram hipóteses como adulteração da calculadora, sem falar nos xingamentos de praxe.

Quando o restaurante percebeu que não ia adiantar se fazer de morto, veio a público se retratar, e publicou em seu site a seguinte resposta:. “Ser proprietário de restaurante em São Paulo não é algo fácil… nesse meio, erros não são tão bem vindos, mas acontecem. Um restaurante que depende de funcionários,  máquinas,  programas e softwares com certeza está passível a erros. No mês de dezembro o software responsável pelo sistema operacional dessa unidade apresentou um problema. Este problema gerou erro na nota de uma cliente. A cliente que recebeu esta conta não pagou a mais. Ela percebeu o erro, refizemos o cálculo e o pagamento foi feito corretamente…” E exibiu a imagem do que seria a nota refeita corretamente.

Ok, pode acontecer, mas ficam as seguintes questões para responder: Primeiro, como é possível que a nota refeita tenha sido gerada em horário anterior à nota com valor errado? (o restaurante alega diferença de horário de verão). Segundo, alguém já viu os sistemas se enganarem para menos?  E terceiro e último, não seria o caso de fazer um recall para os clientes incautos que pagaram a mais? O caso aconteceu em 19 de dezembro, a retratação só veio a público em 17 de março, quase 4 meses depois. Se de fato não houve má-fé do restaurante, a conta acabou saindo caro para eles.

Postado por Lee Swain às 9:24 | 4 comentários
18
 mar
Cidade
O discreto charme de Higienópolis

O  que é que faz de Higienópolis um dos bairros mais concorridos de São Paulo? E também um dos metros quadrados mais caros da cidade? E uma das maiores concentrações de beautiful people? Para responder a estas questões, Eu e Meu Chapéu não quisemos saber de Google nem de Wikipédia nem de guias da cidade. Preferimos ouvir a voz de quem vive no bairro.

A consultora de negócios Beia de Carvalho, nossa primeira vítima, mora há mais de 10 anos em frente à Praça Buenos Aires, já teve escritório no bairro, e na infância frequentava o casarão da avó, na Rua Sabará. A bem humorada Beia nos propôs um passeio pelo bairro, començando com um café da manhã na tradicionalíssima Padaria Aracajú, onde habitués lêem confortavelmente seus jornais, e os balconistas chamam os fregueses pelo nome. Enquanto provamos um delicioso pão na chapa com queijo branco, Beia conta que muitos moradores do bairro se conhecem simplesmente porque lá as pessoas adoram passear. E acabam se encontrando na praça, no açougue, na farmácia, na padaria, e acabam fazendo amizade.

Não acabamos de falar e Beia identifica um amigo tomando café no balcão da Aracaju. O fotógrafo Sidney Haddad vem se juntar à nossa mesa, e ao saber que estamos fazendo uma matéria sobre Higienópolis, se dispõe a nos mostrar alguns prédios históricos ali pertinho. Sidney praticamente nasceu em Higienópolis, e é grande conhecedor da história do bairro.

O acaso começava a desempenhar seu papel no nosso passeio. Seguimos com Sidney pela Av. Higienópolis, e conhecemos algumas das mansões mais tradicionais do bairro, construídas pela elite paulistana no início do século passado, imitando os modelos franceses da época, no tempo em que ainda se escrevia Higienópolis com “Y”.

Sidney é uma enciclopédia viva. Nos conta que Higienópolis é um dos menores bairros da cidade, e tres de suas avenidas são homenagens às suas fundadoras: Angélica, D. Veridiana e Maria Antonia, em cuja propriedade hoje está a Universidade Mackenzie.

Logo a seguir, fomos visitar o prédio onde Sidney mora há 38 anos, na Av. Higienópolis. Trata-se do Edifício Bretagne, um ícone do bairro, construído em 1959 por João Artacho Jurado, e que inaugurou o conceito de condomínio na cidade. O edifício amarelo e rosa, que foi também o primeiro a ter piscina e área de lazer em São Paulo, estrelou muitos filmes e produções televisivas graças ao seu glamouroso estilo hollywoodiano.

Meu Chapéu ficou imaginando o impacto do lançamento do Bretagne na época. João Artacho, que nem arquiteto era, tinha um grande faro para marketing, e convidou o ator Roy Rogers e a Miss Estados Unidos daquele ano para participar da festa cinematográfica que produziu para o lançamento do condomínio, que segundo relatos, teve suas 173 unidades vendidas em 24 horas.

A vida coletiva é a tônica no Bretagne. Além da grande piscina, o edifício conta com um salão para saraus com piano de cauda, um bar que funciona como um clube, salões de jogos, solarium e um grande jardim coletivo de cobertura. Sidney circula pelos longos corredores do hall do Bretagne como se fosse uma extensão de sua casa. Os moradores se conhecem pelo nome, param para conversar, perguntam dos filhos, mandam beijinhos. Embora sua arquitetura contraste com os prédios e casarões austeros da Av. Higienópolis, o Bretagne  é a síntese de Higienópolis. Uma grande mistura de cores, texturas, estilos, e um espaço aberto e generoso para o convívio dos seus moradores.

Áreas de lazer do Bretagne. Fotos Sidney Haddad

Eu e Meu Chapéu nos despedimos de Beia e Sidney com a sensação de que, se não conseguimos fazer todo o périplo de Higienópolis, com certeza conhecemos um dos seus melhores pedaços.

Todas as fotos de autoria de Lee Swain, com exceção das creditadas a Sidney Haddad

Posts relacionados: Meu Chapéu descobre Higienópolis, A Revolução de Ródtchenko

Postado por Lee Swain às 8:47 | 4 comentários
16
 mar
Cidade
Meu Chapéu descobre Higienópolis I

Sábado passado, depois de visitar a mostra de Aleksandr Ródtchenko, Eu e Meu Chapéu saimos chapados da Pinacoteca, ainda sob o impacto das fotos incríveis e das perspectivas distorcidas com que o designer russo chocou o mundo no início do século passado. Parecia que estávamos sob efeito de algum alucinógeno poderoso. Neste torpor, vagamos sem rumo pela cidade e acabamos dando em Higienópolis. Apontei minha objetiva, e no visor da minha Lumix comecei a ver rastros de influencia construtivista em cada angulo, cada perspectiva, cada fachadas que compõem a diversidade arquitetônica do bairro. Não havia dúvida, Meu Chapéu tinha incorporado o espírito de Ródtchenko.

Higienópolis é uma testemunha viva da passagem do tempo, com construções de todas as épocas convivendo lado a lado. Esta inquietação é uma vocacão do bairro, que viveu muitos ciclos, desde as grandes chácaras dos barões do café que deram lugar a casarões luxuosos de famílias aristocratas, e que por sua vez foram sendo demolidos impiedosamente para dar abrir espaço a edifícios de apartamentos em meados do século passado.

Meu Chapéu é muito curioso e quer saber tudo sobre estes desassossegos da cidade, suas motivações, seus heróis e seus vilões. Mas estas histórias tem que ser contadas por quem vive e conhece o bairro. Por isso Meu Chapéu foi conversar com dois ilustres moradores de Higienópolis, que vão nos conduzir pela mão pelos pelos descaminhos do bairro. Amanhã, visita guiada por Higienópolis com Sidney Haddad e Beia de Carvalho, não perca. Fotos: Lee Swain

Posts relacionados: A Revolução de Ródtchenko

Postado por Lee Swain às 9:56 | 2 comentários
15
 mar
Cidade
Meu Chapéu recebe Ródtchenko

Depois de sair empolgado da mostra de Aleksandr Ródtchenko, Meu Chapéu ficou tão fortemente influenciado pelo trabalho do artista russo, que rumou para Higienóplis em busca de inspiração. A arquitetura do bairro, que sofreu influência indireta do construtivismo soviético, com suas linhas retas e perspectivas alongadas, serviu para um ensaio fotográfico que o Meu Chapéu publica a partir de amanhã. Não Perca.  Foto: Lee Swain

Postado por Lee Swain às 9:43 | Nenhum comentário
23
 fev
Cidade, Gastronomia
Aventuras na Zona Leste III

De ontem para hoje, depois de percorrer a ruas da Mooca, localizamos a Casa Di Cunto no nosso GPS, e chegamos ao grande prédio que abriga a confeitaria e o recém inaugurado restaurante. Logo na entrada, uma galeria de fotos históricas relembra as origens da família. Peço para fazer algumas fotos, e logo sou recebido por Marco, um dos herdeiros que gerenciam a casa, e em poucos minutos sou iniciado na trajetória dos Di Cunto.

A história desta família no Brasil começa com um colossal engano. Em 1878, Donato Di Cunto, então com 17 anos e órfão de pai, embarca em Napoli com destino ao Uruguai, onde sua mãe tinha alguns parentes. Como fôsse analfabeto, recebeu a orientação de descer na 3ª parada após a travessia do Atlântico: Rio, Santos e Montevidéu. Quis o destino que uma parada extra fosse feita em função de um surto de doença contagiosa no navio, o que fez Donato acreditar que o Porto de Santos fosse a 3ª parada, e ali desembarcou. Estava feito o imbróglio. Não havia ninguém para encontrá-lo e muito menos quem o compreendesse (a imigração de fato somente ocorreria uma década depois). Com muita dificuldade, conseguiu encontrar alguém que lhe desse guarida (como explicar que havia desembarcado no lugar errado?).

Donato Di Cunto, o patriarca.

Apesar de jovem, Donato trazia consigo o espírito de luta do imigrante que não tem caminho de volta: como tinha experiência no trabalho de carpintaria, teve certa facilidade em conseguir o emprego de ajudante de carpinteiro numa grande empresa da época (Banco União), e caiu nas graças do famoso arquiteto Ramos de Azevedo. Ligado ao banco, teve condições de se alfabetizar e aprender desenho, chegando, rapidamente, ao cargo de Mestre de Obras do setor da Carpintaria.

Mesmo trabalhando para o Banco, juntamente com o irmão José, recém chegado da Itália, fundou, na rua Visconde de Parnaíba na Mooca, uma das primeiras padarias da cidade. Estava lançada a semente dos Di Cunto, em um Brasil prestes a se tornar República. Em 1896 os Di Cunto inauguravam a segunda padaria no mesmo bairro, localizada na então Alameda Taubaté, atual Rua Borges de Figueiredo. Em 1900 já com 2 filhos, retornou para a Itália, e por problemas familiares ficou impedido de retornar ao Brasil.

Eu e Meu Chapéu, entre Reinaldo e Marco Di Cunto

Somente em 1934, após a morte de Donato, seus filhos vieram se juntar a Vicente, que ficara no Brasil, para então retomarem a antiga padaria fundada pelo pai e que estava fechada há alguns anos. Após rápidas adaptações, no dia 14 de março de 1935, os irmãos Vicente, Lorenzo, Roberto e Alfredo Di Cunto reacenderam o forno restaurado, iniciando-se, assim, na atividade de Padeiros.

Anos difíceis esperavam os Di Cunto, que enfrentaram desde dificuldades financeiras até falta de matéria prima, culminando com a II Guerra Mundial, e o racionamento de combustível, lenha, carne, e vários produtos essenciais para a aatividade da padaria, como sal, farinha, açucar, gorduras e óleos comestíveis. Somente em 1949 a situação se normalizaria, e a família pode inaugurar a Confeitaria e relançar os Panettones que chegaram aos dias de hoje como sinônimo de qualidade da família de padeiros.

De lá para cá os Di Cunto prosperaram, e hoje, além da matriz da Mooca, também atendem em duas outras unidades , nas especialidades de panificação, confeitaria, rotisserie, biscoitaria, massas frescas e recheadas, além de servir, desde um café, até um almoço completo, em suas instalações.

Mas mesmo o crescimento dos negócios não conseguiu tirar os Di Cunto de suas raízes fortemente fincadas na Mooca, onde todos tem residência. Nem muito menos a simplicidade e simpatia com tratam a clientela. Hoje, os herdeiros Reinaldo, Marco, Antonio e Paula estão à frente dos negócios, fiéis à história e ao espírito de luta do patriarca Donato. Em nossa simpática conversa, Reinaldo conseguiu expressar toda a gratidão ao bairro com uma única frase: “A Mooca é que ensinou a gente a ser assim”.

Marco Di Cunto entre os doces de sua produção.

Unidade Mooca: Rua Borges de Figueiredo, 61/103 – 11 2081-7100
Unidade Tatuapé: Rua Padre Estevão Pernet, 87/91-
11 2295-3577
Unidade Itaim Bibi: Rua Tabapuã, 1.123 – 11 3709-2119

Links relacionados: Aventuras na Zona Leste I, Aventuras na Zona Leste II, Deixa a Mooca me levar

Postado por Lee Swain às 10:00 | 6 comentários
22
 fev
Cidade
Aventuras na Zona Leste II

O segundo capítulo das aventuras que Eu e Meu Chapéu empreendemos na Mooca tinha que passar obrigatóriamente pelo Memorial do Imigrante, instituição que representou papel fundamental na principal característica do bairro: a forte presença de imigrantes, principalmente italianos. Fundada em 1887, a então Hospedaria do Imigrante era um porto seguro para estrangeiros que vinham em busca de trabalho no Novo Mundo.

Desde sua fundação, mais de tres milhões de estrangeiros passariam por suas dependências em seus 91 anos de vida. Hoje o Memorial abriga todo o acervo histórico da Hospedaria, e é a maior atração turística do bairro. Para minha decepção e do Meu Chapéu, demos com a cara na porta no Memorial, que está fechado para reforma até Novembro. Voltaremos lá, com certeza.

A forte imigração italiana deixou marcas por toda a parte. Casarões em ruínas ainda exibem guirlandas e baixos relevos feitos pelos “maestri” em suas fachadas deterioradas. Mas se a arquitetura tradicional hoje sofre a pressão da ocupação imobiliária, o que Eu e Meu Chapéu notamos é que a presença italiana continua muito forte no bairro. Festas típicas, como a de San Genaro continuam sendo muito prestigiadas, e são numerosas as cantinas e docerias italianas espalhadas pelo bairro. Ou seja, os”oriundi” não abandonaram a Mooca.

Resolvems então localizar no nosso gps um dos nomes mais conhecidos do bairro: a Doceria Di Cunto. Embora nunca tenha estado lá, já conhecia os seus doces, graças à minha Tia Baby, que fazia questão de ir até a Mooca buscar os doces para os almoços de domingo, e exibia os pacotes com orgulho: “É da Di Cunto”, dizia sempre. Nunca sobrou um doce para contar a história.

Localizamos a rua Borges de Figueiredo, e fomos recebidos com um sorriso pelo manobrista da Di Cunto. Um grande prédio abriga a enorme doceria, que agora também conta com um restaurante recém-inaugurado.  Tudo diferente do que eu imaginava. Começava ali nossa introdução na casa da família Di Cunto, cuja história se confunde com a da Mooca. Mas este é um assunto para amanhã.

Links relacionados: Aventuras na Zona Leste I, Deixa a Mooca me levar

Postado por Lee Swain às 9:36 | Nenhum comentário
21
 fev
Cidade
Aventuras na Zona Leste I

Semana passada Eu e Meu Chapéu saímos à caça dos tesouros da Mooca munidos apenas de um Iphone e muita curiosidade. O bairro, um dos primeiros da capital, deve seu nome aos índios que dominavam a área, e chamavam as casas dos brancos de Mo-oca, que mal traduzindo seria algo como oca de branquelos.

A Mooca, que já foi um dos principais cenários da atividade político revolucionária no Brasil, decorrente de sua natureza industrial, cujos trabalhadores eram proletariados e imigrantes, oriundos de países com um emergente pensamento socialista, ainda detém a maior concentração de descendentes de italianos de São Paulo.

Hoje o bairro passa por uma grande transformação, e seus galpões industriais desativados abrem espaço para a expansão imobiliária que faz do bairro um dos mais valorizados da Zona Leste.

E o que tem de bom na Mooca, perguntaria o leitor? Aguarde, amanhã o Meu Chapéu vai mostrar porque vale a pena visitar este bairro.

Links relacionados: Deixa a Mooca me levar, Aventuras na Zona Leste II

Postado por Lee Swain às 10:11 | Nenhum comentário
18
 fev
Cidade
Deixa a Mooca me levar

Flanar. No Michaelis: passear ociosamente, vadiar. No meu dicionário: se deixar levar pela estrada. Um gosto que Eu, Maria e Meu Chapéu temos em comum. Adoramos flanar por ruas que levam não sabemos bem para onde, em busca de coisa nenhuma, aparentemente sem rumo. É assim que gostamos de descobrir São Paulo, sem um roteiro fechado, apenas uma direção. E assim foi que acabamos na Mooca fim-de-semana passado, bairro que praticamente desconhecemos. Um passeio que vai render algumas histórias que contaremos no blog da semana que vem. Não perca o bonde da Mooca.
Foto: Maria Taccari . No bondinho em frente ao Memorial do Imigrante, na Mooca.

Postado por Lee Swain às 1:02 | 2 comentários
25
 jan
Cidade
Paixão por São Paulo

Todo dia uma foto de São Paulo. Há dois anos, me propus a enviar a um dos blogs mais vistos do sul do Brasil uma foto da cidade, com sol ou com chuva, todo santo dia (menos às segundas, dia de descanso do blogueiro).

O cartunista, artista gráfico e humorista Solda, criador do blog Solda Cáustico, encampou a idéia imediatamente, batizando-a “Poluicéia Desvairada”.  E assim, acabei me tornando correspondente paulistano, sem nem sequer ter nascido aqui.  Até agora, somam quase 700 fotos de São Paulo publicadas no site do Solda.

Por isso, a câmera virou ítem obrigatório, junto com Meu Chapéu. Não saio de casa sem a minha fiel Lumix, que não é nenhuma Brastemp, mas está mais que boa para um fotógrafo amador como eu. Este exercício diário me obriga a estar em constante estado de alerta. Uma frase, uma pixação, um rosto, uma paisagem, onde menos se espera pode estar escondida a imagem do dia. E quando a encontro, sinto a mesma satisfação do pescador que vê a linha beliscar. Às vezes o peixe escapa, mas quanto é bom quando volto pra casa com o samburá cheio. É só descarregar no Mac e escolher os mais graúdos para mandar para o Solda. Os miúdos, devolvo para o mar.

Postado por Lee Swain às 9:34 | 2 comentários
25
 jan
Cidade, Fotografia
Um pouco de Poluicéia Desvairada

Das quase setecentas fotos que cliquei de São Paulo e foram publicadas no blog do Solda (vide post anterior), Eu e Meu chapéu oferecemos uma pequena parte nesta galeria, como retribuição à cidade que todo dia nos mostra uma nova face para decifrarmos.  Lee Swain
Clique na foto para ampliar.

Postado por Lee Swain às 9:33 | 5 comentários
19
 jan
Arte urbana, Cidade
A cidade que não pode parar

Cresci ouvindo que “São Paulo não pode parar”. Este monstro de cidade que se movimenta como uma centopéia disléxica, tropeçando sobre as próprias pernas, já jogou na lata do lixo incontáveis preciosidades arquitetônicas, que só de pensar dá vontade de chorar.  Sempre que dou uma olhada no acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles, fico pensando o quanto poderia ser linda esta cidade, e invejo os argentinos, que souberam preservar o centro histórico de sua querida Buenos Aires.

A sofrida São Paulo esconde um outro tipo de beleza em suas entranhas. Uma beleza crua, imediata, urgente, como sexo feito rápidamente mas com muito vigor. Os muros da cidade formam o grande painel por onde corre esta energia criativa que como cogumelos, nasce num dia, morre no outro, e renasce depois de amanhã.  No meu caminho para o trabalho passo pelos mesmos muros e testemunho este ciclo incessante de vida e morte diário, escrito por mãos anônimas não sei a que horas, porque nunca vi nenhum deles no seu fazer incansável. Mas estão lá, nascendo e morrendo todo dia, dando a prova definitiva de que realmente São Paulo não pode parar.

Fotos: Lee Swain

Postado por Lee Swain às 8:02 | 4 comentários
17
 jan
Cidade
O fim do caminho

Me lembro de ter falado muitas vezes ao Meu Chapéu que podíamos ter inúmeros problemas neste País, mas por outro lado, aqui estávamos a salvo de todas aquelas tragédias que assolavam o mundo. Nada de terremotos, vulcões, furacões, tornados, avalanches, tsunamis e cataclismas em geral. E sempre batia na madeira quando via aquelas reportagens vindas de países distantes, com notícias de milhares de vítimas de trágicos fenômenos naturais. Aqui era o paraíso, onde no máximo se podia tomar um raio na cabeça, mas pra isso o sujeito tinha que ser muito pé frio.

Últimamente Meu Chapéu tem me feito perguntas desconcertantes sobre as calamidades que a TV e os jornais e o rádio e o vizinho e a internet não param de repetir. E eu não sei o que responder, sinceramente. Será que estamos sendo castigados porque deixamos de ser um país só de miseráveis? Seria tudo fruto do aquecimento global, e não teríamos nada a fazer a não ser chorar? É tudo culpa dos canalhas que nos cobram impostos e nem sequer se dão ao trabalho de avisar que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças? Como explicar ao Meu Chapéu algo que não consigo entender? Me sinto na lama.
(Águas de Março, de Tom Jobim)

Postado por Lee Swain às 6:06 | 3 comentários
Páginas:12

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